Durante o ciclo de desnacionalização da economia brasileira, nos anos 90, alguns importantes grupos empresariais paranaenses sucumbiram diante dos reflexos da gestão macroeconômica equivocada do Plano Real e da abertura indiscriminada do País ao capital estrangeiro. Não é exagero afirmar que o Paraná transformou-se em um autêntico território de gerentes de multinacionais.
Assim, a retomada do controle acionário da Batávia - dominada pela Parmalat - pelas Cooperativas Central de Laticínios do Paraná (CCLPL) e Agromilk (de Santa Catarina), pode representar o primeiro passo para a reconstrução de uma espécie de identidade empresarial regional.
A falência da transnacional no mundo e a decretação de concordata do grupo no Brasil, com dívidas que devem suplantar os R$ 2,4 bilhões segundo a Comissão Especial da Câmara dos Deputados, podem propiciar a reversão do processo de desnacionalização. Tanto é assim que o Poder Judiciário acatou ação movida pela CCLPL e da Agromilk, que possuem 49,0% das ações da Batavia.
A justiça deliberou, por meio de liminar, a destituição da Parmalat do controle da Batávia, única planta no Brasil na qual a corporação italiana dividia a sociedade com terceiros, e a apuração (perícia) dos haveres. Tal definição acabou livrando a unidade de Carambeí da intervenção no grupo Parmalat determinada pelo juiz da 42 Vara Cível de São Paulo.
Com esta decisão, o Judiciário buscou, ao mesmo tempo, evitar os prejuízos decorrentes da quebra do grupo majoritário, notadamente o fechamento das linhas de crédito, o afastamento dos fornecedores e o declínio da participação no mercado da marca Batavo, devido à falta de garantias, e abrir a possibilidade de os acionistas minoritários da empresa virem a resgatar o controle da mesma.
A saída mais adequada para a preservação dos 1.400 empregos diretos e 7 mil indiretos gerados pela Batávia e das relações comerciais com os 1.200 agricultores cooperados, passa pela compra das ações da Parmalat pelas duas cooperativas, o que exigiria crédito bancário oficial a taxas compatíveis com a rentabilidade da atividade.
GILMAR MENDES LOURENÇO é economista em Curitiba

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