Nação valorizada
Fernando Henrique, o presidente, surpreende por certas iniciativas que tendem a quebrar rotinas e o abrir de perspectivas. Ninguém, neste País embora os índices de aprovação ao seu governo estejam muito baixos , pode se dar ao luxo de afirmar que ele não seja um excelente representante de nosso povo, quando em missão no exterior ou nas aparições e decisões locais.
Tem toda a postura desejável, como se de primeiro mundo fosse o representante, mesmo que vivenciemos aqui graduações inferiores no quesito desenvolvimento. Mesmo assim, me permito perguntar: - Quem no cenário internacional supera a postura, galhardia, simpatia, educação e firmeza de Fernando Henrique? Bush? Nem pensar... Alguém nas Américas, Europa, Ásia ou outros redutos? Nada vislumbro. Creio que o primeiro ministro inglês esteja próximo ao patamar do nosso presidente, sem superá-lo todavia.
Em recente viagem, Fernando Henrique conseguiu mobilizar na grande pátria russa acordos que podem se tornar extremamente positivos, pois a Rússia à revelia foi colocada, pós-queda de um comunismo já destruído em suas bases piores mas que não lhe permite vislumbrar idem horizontes belos ou seguros neste selvagem capitalismo que lhes foi ofertado, e pode se tomar uma parceira incrível para o consumo de nossos produtos, dos quais necessitam.
Sempre que ouço críticas ao nosso presidente e sou um destes críticos idem no que diz respeito ao campo social fico me perguntando até que ponto elas sejam tão fundamentadas, se levarmos em conta apenas a vontade do cidadão e do presidente Fernando Henrique. Recentemente ele próprio afirmou não estarmos dentro do desejável em vários aspectos de desenvolvimento.
Herdeiro de corrosivos hábitos desta República, tendo que conviver com detentores seculares de cargos, como deveria e poderia agir para destruir 502 anos de absurdos enclausurados? Critiquemos o salário mínimo sim, mas como saná-lo na justeza necessária em dois mandatos? A não reposição salarial dos funcionários públicos (isso é horrível e a sinto no bolso e nas contas), as obras prometidas e ainda não concluídas...
Críticas cabem nestes e em vários aspectos, mas sejamos inteligentes o suficiente para que acompanhando as idas e vindas das bravias marés, reconheçamos em nosso presidente o caráter e a dignidade, e nos perguntemos: Onde está aquela coisa horrível chamada inflação da época de Sarney e de outros? Onde está a moeda deteriorada de outras épocas? Onde e quando a impunidade e imunidade política foram varridas como agora? Qual governo teve a coragem de fazer isso, enfrentar crises políticas tão sérias, e neste embate sério desarraigar dos cargos figurões considerados intocáveis?
Como não nos lembrarmos das crises dos países da América do Sul, Europa ou Ásia, e não percebermos que nosso País atravessou a todas com galhardia, ainda que causando dor às nossas mais sofridas ou até às mais abastadas camadas sociais? Como negar a Fernando Henrique a imagem de homem íntegro? Como negar-lhe o epíteto de um dos nossos presidentes mais coerentes com a importância do seu cargo, e que não se deixou vergar na exposição da imagem, a nenhuma característica ou atuação menos nobre, como em outros governos anteriores?
Fernando Henrique pode e deve ter errado muito (e errou), mas ninguém neste País poderá tirar-lhe a condição da integridade no desempenho das funções ou destituir-lhe a imagem desejada de presidente com verdadeira postura familiar, algo que no Brasil não vemos há muito, mas com a qual sonhávamos.
A crítica oposicionista e dela me tenho utilizado também e os pretendentes ao Planalto saberiam lidar tão bem como o fez, Fernando Henrique, contra este baú com 502 anos de teias de aranha tecidas nos sórdidos redutos de inconfessos segredos? Quando alguns vêm a público com críticas justas a certos aspectos deste governo, com certeza não podem se furtar à verdade do desempenho perfeito de uma imagem que perdurará para sempre na lembrança de todos, como sendo o de uma pessoa que nos orgulhou por onde andou.
Quando escrevo sobre temas deste tipo, normalmente os leitores esperam críticas ferrenhas. Vou contrariar as expectativas gerais. Temos um presidente, sim senhores, que valorizou nossa Nação e a enobreceu quando nos representou, embora tenha recebido contundentes críticas, até de minha parte. Mas a ele, Fernando Henrique, cabe muito do nosso reconhecimento e admiração.
LUIZ EDGARD BUENO é escritor em Londrina





