Os R$ 40 bilhões anuais recolhidos pela CPMF causariam um grande bem para a economia se permanecessem no meio circulante e não em poder do Governo. Que se não quer, obviamente, dispensar tamanha soma, a nação precisa dela também, e os parlamentares deveriam atentar para o que é mais conveniente. O dinheiro circulando nas bases tem poder multiplicador, porque passando de mão em mão, diferente de ficar no cofre do Tesouro (informa-se agora que há R$ 353 bilhões estocados, como reserva de caixa). O fim da CPMF contribuiria para o crescimento da economia, ao tempo em que obrigaria o Governo a diminuir gastos dispensáveis.
A senadora Kátia Abreu (DEM-TO) gerou polêmica com seu relatório à Comissão de Constituição e Justiça do Senado propondo o fim desse imposto, sob a alegação de que o Governo tem espaço para cortar despesas, sem prejudicar os programas sociais, e que o dinheiro da CPMF faria muito bem se ficasse nas mãos do contribuinte. Os homens do Governo, naturalmente, declaram que é ''uma péssima idéia'' esta da senadora, mas nenhum deles, e nem o presidente Lula, falam de alguma alternativa para reduzir as despesas de custeio da administração pública. Que poderiam perfeitamente ser reduzidas em exatos R$ 40 bilhões a cada ano, sem prejudicar os atendimentos sociais e os investimentos básicos.
Cortar gastos significaria cortar mordomias, das quais a comunidade oficial não quer abrir mão. Por isso o desespero do Governo em ver prorrogada a CPMF, agora dependente do Senado. O presidente Lula conta como certa a aprovação, e o povo brasileiro também não crê que seja diferente. O chefe do Governo tem repetido que ''não dá para ficar sem a CPMF'', mas também a nação não pode ficar sem os R$ 40 bilhões correspondentes. A administração petista pensa apenas o Governo e não o Brasil, parecendo considerar distintas as duas coisas. Se o Governo aprecia ficar com o controle dessa considerável soma, não imagina quanto útil é esse dinheiro permanecer em poder do povo e das fontes produtoras, para fazer o seu giro.
Lula insinua com o corte de gastos com o social se não contar com a verba da CPMF, mas isto é uma forma de chantagem, porque tudo pode ser mantido desde que se faça corte nas superficialidades e nos abusos. A suspensão do imposto não comprometeria programas como o bolsa-família, mas forçaria o Governo a reequilibrar suas contas e a farra pública, representada pelo empreguismo, pelos elevados salários do pessoal burocrático e da comunidade política e dos demais Poderes, com os privilégios, com as viagens presidenciais dispensáveis, com o superfaturamento e a corrupção em geral.
Como há receita em abundância e cofres abarrotados, o Governo não cogita mexer nisso e então alega que ''não dá para ficar sem a CPMF'', significando que ''não dá'' para ficar sem o superlativo padrão de vida da mal-acostumada gente do círculo oficial.

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