Na virada de 2004, o Igapó da paz é do povo
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segunda-feira, 27 de janeiro de 2003
Sérgio Henrique Schmitt 
Vi nos olhos de centenas de londrinenses, localizados estrategicamente nas margens do lago Igapó, uma ponta de frustração resultante da acanhada bateria dos fogos de artifícios e da total falta de acordes musicais e alegorias na chegada do novo ano. Mesmo assim, a tão esperada passagem mereceu esmero especial de muita gente, envolta de amigos e familiares brindando com cidras e champanhe, numa real integração popular de humildes e descolados em vestes brancas.
Por quê tanta expectativa não atendida? Simples. Até agora ninguém levantou a bandeira de que a margem do Igapó, desde que bem planejada sua ocupação, é palco de festa do povo de Londrina e região. Isso mesmo, o Igapó, inaugurado em 1959 na comemoração do 25º aniversário de Londrina. E a operacionalização não é difícil, já que somos uma população ordeira, politizada, alegre e festiva. Tenho certeza que a grande maioria dos londrinenses habituados em escapar para o litoral nessa época do ano, ficaria aqui, compartilhando felicidade e participando da confraternização. Acredito ainda que cada londrinense ampliaria o elenco de convidados trazendo para Londrina aqueles que lhes são afetivamente caros. Enfim, nossa aldeia criando, realizando e superando as expectativas do próximo révellion de 2004.
Colocar em prática essa idéia é fácil e começa neste histórico momento de integração nacional, onde a esperança venceu o medo e onde cada um está consciente em ter de fazer a sua parte na construção da mudança, muito perto de acontecer. Londrina pode e deve também despertar e quem sabe, na próxima virada do ano, mostre seu exemplo de irmandade, solidariedade e, inclusive, o seu espírito festivo. Um desafio para unir a sociedade civil, municipalidade, aliados e parceiros de um grande mutirão e assim promover excelentes consequências sociais e econômicas porque temos potencial de realizar a nossa versão do révellion da Copacabana carioca ou de qualquer recanto litorâneo e fazer o melhor révellion do interior do Brasil. Basta planejar e definir em planilha os espaços padrões para tendas e pirâmides, no objetivo de abrigar grupos de pessoas; os grupos envolvendo centenas de buffets pessoais ou contratados; dar espaços aos shows envolvendo todas as bandas pés vermelhos; criar um ambiente de muito brilho, luzes e alegorias; contar com a presença de milhares de cidadãos e visitantes, trajando branco e aguardando a uma bela, longa e patrocinada queima de fogos. A verdadeira apoteose comemorativa de fim de ano, refletida nos espelhos do Igapó e nos olhos dos presentes.
Das dificuldades, temos a principal que é a segurança da população nesse grande acontecimento, que pode ser discreta porém intensa e bem articulada inclusive contando com a cumplicidade de cada cidadão em preservar e não macular a festa. A renda obtida, seria revertida para as necessárias manutenções e melhorias do próprio lago. E, se chover? Que venha, água é dádiva e faz parte da purificação dos corpos e mentes na entrada de mais uma gratificante virada de ano. Enfim um evento comunitário bem organizado para encerrar (ou abrir) com chave de ouro o calendário turístico anual da nossa sempre bela e jovem Londrina.
SÉRGIO HENRIQUE SCHMITT é jornalista, assessor regional de comunicação e marketing da Emater em londrina


