Vi nos olhos de centenas de londrinenses, localizados estrategicamente nas margens do lago Igapó, uma ponta de frustração resultante da acanhada bateria dos fogos de artifícios e da total falta de acordes musicais e alegorias na chegada do novo ano. Mesmo assim, a tão esperada passagem mereceu esmero especial de muita gente, envolta de amigos e familiares brindando com cidras e champanhe, numa real integração popular de humildes e descolados em vestes brancas.
Por quê tanta expectativa não atendida? Simples. Até agora ninguém levantou a bandeira de que a margem do Igapó, desde que bem planejada sua ocupação, é palco de festa do povo de Londrina e região. Isso mesmo, o Igapó, inaugurado em 1959 na comemoração do 25º aniversário de Londrina. E a operacionalização não é difícil, já que somos uma população ordeira, politizada, alegre e festiva. Tenho certeza que a grande maioria dos londrinenses habituados em escapar para o litoral nessa época do ano, ficaria aqui, compartilhando felicidade e participando da confraternização. Acredito ainda que cada londrinense ampliaria o elenco de convidados trazendo para Londrina aqueles que lhes são afetivamente caros. Enfim, nossa aldeia criando, realizando e superando as expectativas do próximo révellion de 2004.
Colocar em prática essa idéia é fácil e começa neste histórico momento de integração nacional, onde a esperança venceu o medo e onde cada um está consciente em ter de fazer a sua parte na construção da mudança, muito perto de acontecer. Londrina pode e deve também despertar e quem sabe, na próxima virada do ano, mostre seu exemplo de irmandade, solidariedade e, inclusive, o seu espírito festivo. Um desafio para unir a sociedade civil, municipalidade, aliados e parceiros de um grande mutirão e assim promover excelentes consequências sociais e econômicas porque temos potencial de realizar a nossa versão do révellion da Copacabana carioca ou de qualquer recanto litorâneo e fazer o melhor révellion do interior do Brasil. Basta planejar e definir em planilha os espaços padrões para tendas e pirâmides, no objetivo de abrigar grupos de pessoas; os grupos envolvendo centenas de buffets pessoais ou contratados; dar espaços aos shows envolvendo todas as bandas pés vermelhos; criar um ambiente de muito brilho, luzes e alegorias; contar com a presença de milhares de cidadãos e visitantes, trajando branco e aguardando a uma bela, longa e patrocinada queima de fogos. A verdadeira apoteose comemorativa de fim de ano, refletida nos espelhos do Igapó e nos olhos dos presentes.
Das dificuldades, temos a principal que é a segurança da população nesse grande acontecimento, que pode ser discreta porém intensa e bem articulada inclusive contando com a cumplicidade de cada cidadão em preservar e não macular a festa. A renda obtida, seria revertida para as necessárias manutenções e melhorias do próprio lago. E, se chover? Que venha, água é dádiva e faz parte da purificação dos corpos e mentes na entrada de mais uma gratificante virada de ano. Enfim um evento comunitário bem organizado para encerrar (ou abrir) com chave de ouro o calendário turístico anual da nossa sempre bela e jovem Londrina.
SÉRGIO HENRIQUE SCHMITT é jornalista, assessor regional de comunicação e marketing da Emater em londrina

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