Na UTI, sem diagnóstico
O Paraná não está na Unidade de Terapia Intensiva, até por força da economia hoje razoavelmente diversificada, mas não aparenta boa saúde. Isso é visível na preocupação do governo em não sobrecarregar dispêndios no bloqueio exercido por exemplo à lei que cria a Defensoria Pública, necessidade inquestionável. Outra evidência da anomalia é a cobertura que se concede no Legislativo aos vetos do governo anterior a iniciativas que geravam despesas.
Não há ainda um diagnóstico claro, extenso, da situação financeira. Sabe-se que não é boa, mas aí há a incidência do óbvio: hipertrofiadas, as despesas do governo são consumidas num processo autofágico. A máquina imensa é cara e sem qualquer sinal de eficiência carregada de patologias que vão do paralelismo burocrático à incidência de fenômenos de superposição. Como se não bastasse tal quadro negativo ainda o Estado corre o risco de ser listado como inadimplente diante da União e sofrer sanções pesadas, daí
decorrentes.
Percebe-se por tudo isso que um empirismo cultural, condicionado, define o agir público. Tanto que quando um ex-diretor da ParanaPrevidência detectou um furo de R$ 3 bilhões naquele fundo de pensão a repercussão foi mínima e o governo de então valeu-se de mera retórica para contestá-lo.
Informes como esse já parecem não preocupar, tal o hábito arraigado de empurrar crises reais com a barriga. Se a situação é grave até mesmo para sustentar a manutenção e o funcionamento mínimo do Estado indispensável é que haja medidas bem mais fortes do que a tal moratória decretada e que parece, a rigor, ter efeito meramente psicológico, tantas vezes adotada.
A patologia estatal não é insignificante, embora os sintomas conhecidos e que se repetem ano a ano. Está a exigir cirurgia heróica, ainda que haja o temor de que se use band-aid e cataplasma por temor de mexer num vespeiro que sempre importa em consequências políticas. O capital de confiança em Beto Richa é um dos fatores que pode induzir à reação e à restauração.





