Diante do crescimento da participação dos evangélicos na política já há quem defenda abertamente a eleição de um presidente protestante. Exemplo claro disso foi a candidatura do ex-goverandor do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (PSB). Para o deputado estadual do PSC e um dos líderes do Conselho de Ministros Evangélicos do Paraná, pastor Fernando Guimarães, desta vez acertaram na trave, numa referência ao terceiro lugar de Garotinho no primeiro turno. ''Mas na próxima (eleição) (Garotinho) entra'', acredita.
O cientista político e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Alexandre Brasil Fonseca, defenderá uma tese de doutorado na Universidade de São Paulo (USP) onde o foco consiste nas religiões e a democracia no país. ''A presença evangélica na política pode contribuir para a consolidação democrática brasileira, já que inclui uma massa que até então, por ser na sua maioria de baixa renda, estava alijada do processo'', sustenta Fonseca.
O sonho do presidente evangélico, avalia o professor, leva o eleitor deste segmento a vislumbrar a possibilidade de vê uma pessoa igual a ele assumindo as rédeas de uma nação.''Ele vê os atributos para ser presidente somados ao fato do candidato ser evangélico.'' No caso específico de Garotinho, Fonseca cita que o candidato recebeu 40% dos votos entre os evangélicos, o que não corresponde à maioria. ''Isso prova que o fato de ser evangélico pode até contar, mas também não é decisivo'', explica.
Outra constatação do pesquisador é quanto a um maior alinhamento dos representantes evangélicos, principalmente na Câmara dos Deputados, com a esquerda. A partir de 1998, segundo o pesquisador, os políticos evangélicos pregam uma nova participação na política. ''Alguns (parlamentares evangélicos) deixaram de lado o fisiologismo e assumiram uma postura de independência e crítica, mais de acordo com o seu eleitorado e o seu perfil, que é o de origem pobre.''

mockup