Dias atrás o ex-governador de São Paulo José Serra, em entrevista à imprensa, mostrou ironia de hoje estarmos em relação à China no mesmo pé de igualdade em que nos situávamos diante dos países industrializados. Com precisão colocou que estamos na ''periferia'' num processo que tende a consagrar, cada vez mais, a China como ''centro''. No passado esse tipo de análise, boa parte centrado numa equivocada visão da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), era traduzido nas queixas de Leonel Brizola quanto às perdas internacionais e no cantochão dos subdesenvolvidos na deterioração das relações de troca.

Se recuarmos no tempo, quando era mais veemente esse debate ideológico, o Brasil, lá pelos anos 50 do século 20, época da política de substituição de importações, que crescera com Getúlio Vargas, estava num patamar aproximado ao dos chineses, e isso revela a obviedade de que crescemos muito, mas sem condições de fazer paralelos com os asiáticos. Principal parceiro do nosso país e, por extensão do nosso Estado, a China, que já é a segunda economia do mundo, dita as cartas nesse intercâmbio com a desenvoltura anterior do primeiro mundo, importando matérias-primas e insumos e exportando produtos industrializados.

Um dos objetivos da visita recente da presidente Dilma Rousseff àquele país foi buscar formas de flexibilizar tais relações, aproximando-as, o quanto for possível, de um equilíbrio. O fato é que a China avançou em coisas em que permanecemos num cenário de areia movediça. Dentre eles, o principal, na saúde e especialmente na educação.


Não dá para restabelecer aqueles clichês em torno do imperialismo (a China tem todo o jeito de ser a bola da vez) apenas para alimentar os fanáticos que o encaravam como um neocolonialismo, uma relação de dependência, aquela mesma do livro clássico de Fernando Henrique Cardoso. A China tem um projeto nacional e o executa; nós não o temos. Essa a causa da dependência.

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