NA MARCA DO PÊNALTI - Importante é manter o otimismo e trabalhar
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domingo, 02 de fevereiro de 2014
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
No dia 21 de janeiro, Curitiba recebeu um ultimato da Fifa. O problema: atraso nas obras da Arena da Baixada. A entidade chegou a acenar com a possibilidade de que os quatro jogos previstos para a capital paranaense sejam realizadas em outras sedes da Copa do Mundo de 2014. O recado foi dado pelo secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke. Se as obras não avançarem até o dia 18, quando uma nova visita ao estádio está marcada, a cidade pode ser excluída do Mundial.
Depois do encontro, marcado pela tensão, algumas medidas já foram adotadas e avanços vêm sendo constatados. Por exemplo, a colocação do gramado e a instalação de gomos da cobertura e das cadeiras. A expectativa, entretanto, ainda está no ar. As autoridades estão otimistas, mas com os pés no chão. O secretário estadual para Assuntos da Copa do Mundo, Mario Celso Cunha, recebeu a equipe da FOLHA nessa semana e abordou as providências tomadas, as dificuldades enfrentada e mostrou confiança de que "tudo vai dar certo". É como uma frase que o próprio Valcke postou em uma rede social, logo após a visita na Baixada: "a bola está com Curitiba e o governo para implementar essas medidas". Agora só restar saber se isto vai resultar em bola na rede ou chute para fora.
Depois da última visita do secretário-geral da Fifa, Jérome Valcke, em que foi dado o ultimato para as autoridades e estipulada uma nova data para que as obras da Arena da Baixada avancem, algumas medidas foram anunciadas. O que já foi feito?
O Comitê Gestor, formado por Atlético-PR, Prefeitura de Curitiba, governo estadual e Comitê Organizador Local (COL), já está com seus representantes atuando diretamente e acompanhando o que está sendo feito no estádio. O comitê terá apoio do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR). Este pessoal está trabalhando desde a semana passada e vai continuar até o dia 18 de fevereiro. Eles estão verificando cada setor. O gramado já foi totalmente colocado, faltam apenas dois gomos da cobertura da estrutura, a instalação das cadeiras já ultrapassou os 7 mil lugares e devemos atingir até 15 mil no dia 18 de fevereiro. Então estamos estabelecendo prioridades e no próximo dia 6 vamos fazer o primeiro relatório da situação.
Neste mesmo dia o Charles Botta, técnico em estádios da Fifa, que foi quem fez o relatório que provocou a última visita do Jérôme Valcke, vai estar na cidade. Ele conhece todos os estádios do mundo, esteve na Alemanha, África do Sul, e viu que do jeito que estava indo a Arena não iria ficar pronta para a Copa do Mundo. Por isso pediu agilização e firmamos este termo de compromisso na última reunião, com três pontos principais, sendo a formação do comitê com carta branca para agir dentro do estádio, com a concordância do Mario Celso Petraglia, presidente rubro-negro; a ampliação do número de operários em pelo menos 50%; e a definição do caixa, de quanto vai se gastar até o final da obra.
O atraso nas obras da Arena da Baixada ocorreu por falta de planejamento?
Não. Diria que o primeiro problema foi o fluxo de caixa. Nós estamos desde 2010 tentando o financiamento por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e esse recurso só foi liberado em janeiro de 2013. Quando a verba saiu o Atlético já tinha colocado dinheiro próprio para conseguir tocar as obras. Consequentemente, quando o recurso saiu grande parte já estava comprometida. Pela primeira vez o BNDES fez uma exigência que não tinha feito para ninguém, pediu para o Atlético-PR apresentar todas as notas das despesas para fazer o pagamento. E isso dá mais atraso, verificação das notas, auditoria. Isso comprometeu e uma obra que era para ser entregue em 2013 acabou sendo iniciada nesta época.
Além disso, uma juíza do Justiça do Trabalho paralisou a obra por seis dias sem nenhuma razão porque tudo que ela havia questionado estava dentro da lei e ela acabou voltando atrás com a decisão. Uma paralisação de seis dias numa obra deste tamanho, com dois turnos, representa praticamente 15 dias de paralisação. Outro ponto que pesou bastante foi o clima. Hoje estamos com sol e calor, mas há alguns meses tivemos forte tempestades e dias chuvosos seguidamente. Você não pode expor os operários e eles acabaram trabalhando nos serviços internos. Tudo isso acabou impactando nos atrasos da Arena. O Petraglia até fala em culpa da prefeitura e do governo, mas todos os acordos nós cumprimos. Se não houvesse o apoio do governo, por exemplo, eles não teriam conseguido empréstimo por parte do BNDES, já que o órgão não libera recursos diretamente para um clube de futebol.
Quando a Arena da Baixada foi escolhida como um dos estádios da Copa o Atlético criou a CAP S/A, uma Sociedade para Propósitos Específicos (SPE) para gerenciar as obras. Houve alguma falha por parte desta sociedade?
Cabe somente à CAP S/A fazer esta avaliação. Eu, como secretário não posso me manifestar sobre isso. Agora nós confiamos no cronograma que foi apresentado, tanto é que não tínhamos nenhuma interferência. Só acompanhamos através da comissão de fiscalização do governo, e a Prefeitura também tinha uma comissão. Além disso, a empresa auditora Pricewaterhouse fazia relatórios sobre a situação do estádio. A empresa nos repassava informações sobre a evolução do projeto, mas não podíamos interferir. Somente agora, com esta composição que foi feita a pedido do Ministério do Esporte e da Fifa, estamos participando mais efetivamente da situação. Diria que com este aporte de R$ 39 milhões em caixa o Atlético pode tocar a obra até fevereiro, para cumprir as determinações. Agora, depois do dia 18 de fevereiro, é importante saber o valor final da obra para saber de onde virá este recurso.
Por que antes não ocorria esta fiscalização mais rigorosa?
Era uma posição da CAP/SA. Ela fez o cronograma e executou 90% da obra. Então o ritmo até que foi acelerado, mas não tinha cara de estádio porque não tinha cadeiras, não tinha gramado, a cobertura estava sendo realizada. Então para quem vai visitar fica a dúvida, mas ao acertar alguns itens vai se resolvendo a questão.
A seleção da Espanha, que definiu Curitiba como sede durante a Copa, entrou em contato com a secretaria para saber da situação do estádio e obter mais detalhes das obras? Outras seleções fizeram o mesmo?
Eles vieram três vezes aqui e, por duas vezes, visitaram o CT do Caju. Gostaram do local e depois disso passaram a negociar com o Atlético-PR. Recentemente alguns representantes vieram conversar com o cônsul da Espanha, mas em termos de conclusão de obras do estádio não manifestaram nenhuma preocupação. A única seleção que me procurou foi o Irã, que jogará a primeira partida na Arena. Queriam saber se há a possibilidade de não ocorrer a Copa na cidade, mas repassamos todas as informações, e reforçamos que vamos cumprir os prazos estipulados pela Fifa. Eles estarão na reunião com as seleções em fevereiro no Costão do Santinho, em Santa Catarina, e logo depois virão para cá para saber da situação. O importante é manter o otimismo e trabalhar, porque não podemos parar. Se precisarmos implantar um terceiro turno para que as obras avancem, isso será feito.


