Na fila do voto, feliz reencontro após 45 anos
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domingo, 06 de outubro de 2002
Érika Pelegrino<br>Reportagem Local 
Londrina - Além de exercer a cidadania através do voto, a dona-de-casa Maria Neusa Cortes dos Santos, 48 anos, eleitora em Arapongas, tinha outro compromisso ontem: com a solidariedade. Decidida a encontrar a família de sua amiga Ilázia Martins Conceição, 78 anos, ela fez plantão na 189zona eleitoral, seção 37, na Escola Municipal Leônidas Sobrinho Porto, no Jardim Leonor, zona oeste de Londrina.
A dona-de-casa conheceu Ilázia quando morou em Bebedouro (SP), onde a amiga ainda reside com as três filhas. Ao mudar-se para Arapongas com a família Maria Neusa decidiu ajudar a amiga a encontrar os quatro irmãos e o filho que tinha deixado na região de Ivaiporã há 45 anos.
Depois de muito tentar chegou a desistir, mas há pouco mais de 20 dias resolveu colocar um anúncio no jornal. Um senhor de Ivaiporã leu o anúncio e entrou em contato com Maria Neusa disposto a ajudar. Com acesso ao cartório eleitoral, ele descobriu que Benedito Oliveira, 67 anos, um dos irmãos de Ilázia, vota em Londrina.
Ela e o marido ficaram de plantão no local de votação. Munida apenas com uma foto antiga de Benedito, Maria Neusa deixou um recado na seção onde ele votaria para o caso de não reconhecê-lo. Não foi preciso. Às 10 horas, ela e o marido viram um senhor na fila e acharam que era o irmão de Ilázia. ''Meu marido o chamou pelo nome e ele respondeu. Foi uma luz de Deus que nos orientou, porque na foto ele ainda era muito moço'', disse.
Espantado por ser reconhecido por desconhecidos, Benedito ficou ainda mais surpreso quando o casal começou a contar que conhecia sua irmã Ilázia, que havia perdido o contato com a família há mais de quatro décadas. Muito emocionado, o aposentado levou o casal ao seu apartamento, na área central de Londrina, e enquanto mostrava as antigas fotos de família contou que dois irmãos (Santino e Sebastião) já tinham falecido.
O outro irmão, Domingos, mudou-se para a Bahia com a esposa levando junto o filho de Ilázia, Luiz, que hoje tem mais de 50 anos. Maria Neusa ligou para Ilázia contando que depois de dois anos de busca finalmente havia encontrado a família dela.
''Ela ficou muito feliz e vai entrar em contato com ele'', afirmou. Com sequelas de um derrame, Benedito Oliveira é aposentado. A filha que mora com ele, Aparecida Miranda, contou ontem à tarde à Folha que ele estava muito ansioso e aguardava o contato da irmã.
''Ele nem saiu, como costuma fazer aos domingos à tarde, esperando o telefonema dela'', contou. Segundo ela, a tia desapareceu sem deixar nenhum contato. ''Eu mesma não a conheci. Meu pai conta que a última vez que a família a viu foi em 1957, no casamento dele'', conta. Aparecida achou melhor esperar o contato de Ilázia para então ele falar com a imprensa.


