Na falta de provas as pizzas das CPIs
Os desejos do povo não são os mesmos da legislação, e aquilo que o consenso comum tratando-se de denúncias contra políticos considera verdade, não o é perante os tribunais se faltam as competentes provas. Por isso, a dois dias para a CPI dos Bingos apresentar seu relatório, escasseiam as informações sobre a maior parte das operações bancárias dos investigados, porque elas estão protegidas pelo estatuto do sigilo. Os bancos não têm colaborado no caso para proteger os clientes e não supostamente para acobertar delitos, então não se sabe a origem dos dinheiros e sua destinação. A CPI dos Correios teve o mesmo desfecho. Por isso é que tudo acaba em pizza, no dizer da linguagem popular para referir-se à rodada depois de tudo do apetitoso manjar, com a presença de todos os figurantes das acusações. Faltam as fatídicas provas, e sob esse cobertor abrigam-se muitos corruptos e bandidos de toda a espécie. Os ladrões das economias do povo, que são os impostos que pagam, não assinam recibos de seus roubos, não os contabilizam e não os põem na declaração de rendas, e assim, perante a lei, são todos santos homens. A mesma rapacidade que os faz gatunos está presente na arte de proteger, com todo o cuidado, as ladroeiras que cometem. Está se tratando, portanto, de gente muitíssimo esperta. Então, as CPIs, embora alguns resultados positivos, e todas as investigações policiais que se façam, irão esbarrar na insuficiência de provas. Só as evidências não valem, embora a falta das tais provas não signifique comprovação de inocência, a não ser sob a ótica da lei. As investigações não devem ser suspensas por conta disso, mas os parlamentares perdem muito tempo envoltos com esses casos e deixam de discutir e aprovar matérias relevantes. Estas são, também, grandes perdas para a nação. Não só os bancos se retraem mas também as companhias telefônicas, porque elas têm atrasado o envio de alguns relatórios solicitados sobre telefonemas, que são pistas importantes. A própria Caixa Econômica, que é uma instituição oficial, não enviou documentos solicitados pela CPI sobre ganhadores de loterias. Se a lei contempla o sigilo e isto é do ordenamento legal é verdade que a mesma proteção não teve Francenildo, o caseiro. Não se esperava que o mesmo houvesse acontecido com os políticos denunciados mas que o guardião da República de Ribeirão não tivesse tratamento diferenciado só pelo fato de ser um pobre e um simples homem-do-povo, como se diz. Seria preciso criar leis específicas que permitissem a quebra desses tipos de sigilos em casos de denúncias envolvendo dinheiro público. No mínimo.





