Na eleição a oportunidade de cassar
Seria demorado, até pelo zelo corporativo, um eventual processo de cassação dos vereadores londrinenses acusados de formação de quadrilha, e de outros integrantes da Casa que ainda deverão ser chamados a depor. Mas a eleição que se avizinha é a oportunidade de o povo decidir se os ''cassa'' ou não. Porque, se os respectivos partidos ignorarem a importância das denúncias que ora afloram - e no mínimo elas são uma mácula em cada vereador apontado e isto já seria suficiente para uma tomada de precauções visando a pureza do sistema - todos eles se candidatarão à reeleição.
Sempre resta, em tais casos, o remédio da decisão popular, embora esta nem sempre acerte, porque a história registra a recondução ao poder de muitos políticos corruptos, e isto ocorre pelo voto das maiorias proporcionais, leia-se o eleitorado. No episódio de Londrina, muita chuva ainda cairá sobre os telhados até que eventuais condenações ocorram, mas não se pode sempre vaticinar que ''tudo irá acabar em pizza'' - a frase lapidar que os brasileiros cunharam para simbolizar que, ao final, os implicados em qualquer caso de corrupção acabarão sentando-se à mesa para esse manjar festivo. Verdade que uma punição já está em curso, representada pela execração pública dos implicados e pelo peso que os sobrecarrega na caminhada rumo à reeleição. O noticiário a respeito já corre o mundo, agora que as infovias fizeram da humanidade inteira, efetivamente, ''uma aldeia global''.
O ideal, para salvaguarda da idoneidade das instituições, seria que, uma vez reunidos os instrumentos regimentais para tal, os vereadores fossem afastados pelo próprio Poder a que pertencem, a Câmara Municipal. Naturalmente sem prejuízo das demais penalidades legais. áMas sempre resta o júri popular, que secreta e soberanamente pode decidir nas urnas, em outubro, o que considerar justo e conveniente. Ali não há ninguém, dentre os acusados, batendo no peito e bradando que quer ver reunirem provas contra eles. Algo realmente difícil - a juntada de provas - mas a ausência delas nem sempre atesta inocência. Porque quem comete falcatruas acautela-se o mais possível para não deixar vestígios.
Certo é que a sociedade cobra da Câmara Municipal explicações convincentes e medidas institucionais, e se elas não forem satisfatórias, os próprios membros da Casa como um todo, suspeitos ou não, irão sofrer desgastes, com reflexos no veredicto eleitoral que acontecerá daqui a oito meses. Porque todos, com absoluta certeza, irão se candidatar à reeleição.





