Se surge uma denúncia de irregularidade envolvendo autoridade pública, o dever de seu superior é imediatamente afastá-la da função, ou que ela própria se afaste, para facilitar a averiguação. Se a acusação não procede, que se reconduza ao cargo ou se proclame publicamente a sua inocência. No Brasil, denúncias são levantadas contra homens públicos e seus chefes os mantêm, permitindo um contínuo bombarbeio dos acusadores e dos veículos de comunicação. Dessa forma o Governo se desgasta e gera indignação da população, porque nada é esclarecido e os cidadãos passam a acreditar na veracidade da denúncia e de que o denunciado esteja sendo protegido. No mais dos casos essa proteção ocorre, porque imaginam os governantes que acatar uma denúncia e averiguá-la é condescender com os acusadores. No Governo Lula várias denúncias ocorreram as mais recentes os casos Diniz, Meirelles, Jucá, Correios, mensalão e o Presidente tudo fez para abafar cada caso ao invés de receber as denúncias e afastar imediatamente os acusados, não com o sentido de puni-los mas sim abrir caminho para a investigação. Por não fazer isso, teve de conviver com os esquifes em sua sala, propiciando assunto permanente para os denunciantes e para os veículos de comunicação, com prejuízos para a imagem do Governo e para a governabilidade. Agora Lula demite todos os acusados no caso dos Correios, mas só o fez porque pressionado por um novo escândalo, o das mesadas do PT aos deputados, mas sabe-se o quanto lutou para impedir a CPI a respeito. Enfraqueceu-se com isso, possibilitando que face a exaustão gerada pela última das denúncias, a do mensalão se falasse até em seu impeachment. Recorda-se que o presidente Itamar Franco foi exemplar quanto a esse aspecto. Quando seu ministro da Fazenda viajou para Nova York em um jato de uma empreiteira, foi imediatamente afastado, para apurar seu suposto envolvimento com a empresa. Seu ministro da Casa Civil foi alvo de denúncia e imediatamente afastado, como primeira providência, até apurar a procedência da acusação. Na ocasião em que Antonio Carlos Magalhães anunciou que tinha um dossiê com farta documentação sobre corrupção no Governo, Itamar marcou uma data para recebe-lo e convocou a imprensa para estar presente, e na frente de todos abriu o envelope denunciador, pois sabia que nada havia de comprobatório. Ao final de seu governo o índice de auto-estima do povo era elevado, porque Itamar manifestava seu respeito aos cidadãos com essas atitudes. O presidente Lula faz o contrário: prefere criticar quem denuncia, quando melhor seria levantar todas as denúncias, às claras, e acha melhor fazer propaganda na televisão no lugar de tomar medidas que seriam mais simpáticas ao seu governo. O presidente Fernando Henrique Cardoso tinha comportamento igual ao do atual presidente. Afastar um ministro ou outra personalidade de relevância, se acusados, não significa punição mas um expediente de transparência e de decência. Não tem nenhuma consistência a afirmação de que uma CPI, ou o afastamento de um ministro acusado e mesmo uma denúncia contra o próprio presidente da República, tragam abalos para a economia ou dificultem a governabilidade, mas o contrário: a tentativa de abafar a investigação de fatos levantados é que é capaz de gerar esse tipo de danos e, muito pior, que se fale até em impedimento do chefe do Governo.

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