Na cola do tucano
Quem diria. O fato novo nesta reta final das eleições presidenciais não é Luiz Inácio Lula da Silva, José Serra e nem Ciro Gomes, que mandaram nas três primeiras posições da corrida presidencial até aqui e prometiam emoções fortes no primeiro turno.
Entre tiradas cômicas e promessas bombásticas, Anthony Garotinho, do PSB, ganhou a cena, desbancou Ciro Gomes do terceiro lugar, desafiou abertamente o líder petista nos debates e começa a atazanar o dono da segunda vaga, José Serra, que já cantava vitória como presença certa no segundo turno.
As mais recentes rodadas de pesquisa, tanto do Ibope como do Vox Populi, mostram Lula em situação estável, com 41% das intenções de voto, e Garotinho, azarão do pleito, agregando pontos a cada dia. Se o Ibope estiver certo, Garotinho está tecnicamente empatado com o tucano. Teria 15% das intenções de votos e Serra, 18%. Os institutos mostram que a distância entre os dois vem caindo. Em 9 de setembro, era de 7 pontos. Agora, de apenas 3.
Como as pesquisas embutem margem de erro de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo, Serra tem motivos para se preocupar. A verdade é que tanto ele como Garotinho e até Ciro podem figurar na próxima etapa da disputa, se Lula não 'levar' no primeiro turno. Além disso, o novo adversário direto do tucano tem uma vantagem expressiva sobre os demais. Garotinho tem o menor índice de rejeição entre o eleitorado.
Não por acaso, a propaganda serrista já ataca o presidenciável emergente rotulado como animador de auditório por ''fazer promessas fáceis e mentir''. O fato é que, correndo por fora e praticamente sem amarras partidárias, Garotinho foi o candidato com maior liberdade durante a campanha para dizer o que pensava sem considerar a platéia ou medir consequências. Fez o oposto do que reza a cartilha política o que talvez explique sua ascensão imprevista e, mais que isso, traduza um pouco da expectativa do brasileiro em relação à classe política.
Ruth Meira





