Na área rural, é comum menores na lavoura
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sábado, 26 de abril de 2003
Maigue Gueths<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - ''Nós chegamos a fotografar uma criança usando chupeta, com no máximo dois anos, colhendo batata'', conta a promotora do Ministério Público do Trabalho (MP), Margaret Matos, falando do resultado obtido em fiscalizações às regiões de plantação na Região Metropolitana de Curitiba para averiguar o trabalho ilegal de crianças e adolescentes. Nesse caso, o MP teve sorte de registrar a ilegalidade. Flagrar crianças trabalhando, segundo a promotora, nem sempre é uma tarefa fácil, já que o órgão depende basicamente de denúncias para poder investigar e autuar os responsáveis.
As denúncias, no entanto, não são frequentes. A causa não é a omissão da sociedade, mas sim um problema cultural. ''Muitas pessoas pegam menores para trabalhar e encaram a situação como se estivessem fazendo um favor às crianças, tirando-as da rua e fazendo com que produzam'', diz a promotora. O vice-presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná (Fetaep), Antonio Zarantonello, vai ainda mais além. Segundo ele, os próprios pais encaram o trabalho como um componente da educação.
''Sempre se entendeu, por uma questão cultural, que trabalhar faz parte da educação, que se a criança não trabalhar ela não vai aprender'', diz Zarantonello. Por isso, de acordo com ele, é comum os agricultores fazerem os filhos trabalharem com eles, normalmente fazendo serviços mais leves, mas sem impedir que continuem estudando.
Ele alerta, ainda, para outra situação comum de trabalho infantil na agricultura. São filhos de assalariados rurais, que trabalham como bóias-frias, e que, por não terem onde deixar as crianças, levam os filhos junto para o trabalho. ''Como essas pessoas ganham por produção, as crianças acabam trabalhando também para somar na renda'', diz. Nesse caso, a maioria não estuda. ''Apesar das diferenças, os dois tipos de trabalho são ilegais. Mesmo a questão cultural não justifica que uma criança vá trabalhar, quando devia estudar, brincar, ter amigos'', diz Zarantonello.
O maior problema de trabalho infantil em Curitiba são os catadores de papel, que trabalham com carrinhos pelas ruas da cidade. ''É o mais preocupante, porque é uma atividade degradante e perigosa e, o que é pior, cada dia aumenta mais'', diz Margeret.


