O Dia Internacional dos Museus – 18 de maio – foi instituído há 40 anos. Criado pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM), trata-se de iniciativa destinada a promover instituições museológicas, acervos, coleções e o patrimônio cultural e natural em conjunto. Anualmente, museólogos, técnicos, pesquisadores, visitantes e o público interessado em exposições e atividades museológicas desenvolvem e participam de inúmeras atividades realizadas com esta finalidade redor do mundo.
Ao longo desses anos, os museus ganharam visibilidade pública, aproximaram-se do cotidiano escolar e dos debates sobre temas da vida social cotidiano. O patrimônio cultural e natural das sociedades tem sido amplamente divulgado e reexaminado no âmbito da conservação, das exposições e das pesquisas sistemáticas. Os benefícios institucionais e coletivos são inegáveis e alimentam as relações dos museus com público de distintas gerações, condição social e graus de escolaridade.
A abrangência e a multiplicidade de experiências alcançadas pela mobilização dos museus permitem conhecer o papel e o potencial desta instituição na mudança cultural e social programadas. São emblemáticas as ações de movimentos indígenas que recorrem à linguagem museológica na reafirmação de identidades étnicas, recuperação de elementos da vida material e simbólica e, principalmente, na legitimação de direitos às terras ancestralmente habitadas.
Nas áreas urbanas, a presença dos museus é numerosa e variada. As modalidades de expressão e as experiências na linguagem museológica para a preservação, exibição e difusão cultural envolvem diferentes segmentos sociais, conferindo identidade e originalidade à museologia praticada no Brasil. Esta, crescentemente, destaca-se pelas suas ações criativas, críticas e pedagógicas, cristalizando uma museologia social qualificada e prestigiada nacional e internacionalmente.
O tema proposto para 18 de maio de 2017 associa a memória e a criatividade, museus e mudança social. Nesta aproximação, são apontados caminhos com os quais a comunidade de museus e seus agentes operacionais, em diferentes países, possuem reconhecida familiaridade. O destaque é o aprimoramento de desempenho na realização de ações educativas em museus.
O interesse pelas possibilidades educacionais nos museus alimenta a construção de estratégicas pedagógicas centradas no diálogo e na compreensão da diversidade cultural e biológica das sociedades humanas. As diferentes gerações contam na atualidade com múltiplas e dinâmicas formas de contato com o patrimônio cultural em todo o mundo. As relações entre o passado e presente tornam-se mais evidentes, perceptíveis e elucidativas.
A vitalidade educativa e de comunicação dos museus proporciona outras relações com os espaços habitados ou não, aproximando os museus e a museologia de territórios e de grupos sociais diversificados, como terras indígenas, favelas e comunidades rurais e longínquas áreas naturais do planeta, como as regiões polares, florestas e desertos.
O acesso às instituições e interpretações do patrimônio pelas tecnologias de comunicação e as estratégias pedagógicas seguidamente renovadas fizeram dos museus ambientes dinâmicos, interativos e reflexivos, estabelecendo diálogos multifacetados nas escolas e universidades, nas comunidades rurais e urbanas, em grandes e pequenas cidades.
Sucessivas e criativas mudanças alcançam a valorização social e a conservação técnica de acervos e de espaços museológicos. Ações administrativas, técnicas e científicas animam o trabalho de profissionais e ampliam o público espontâneo e organizado dos museus. A mudança social induzida torna-se mais palpável em conexão com museus.

PAULO HENRIQUE MARTINEZ é professor no departamento de História da Unesp (Universidade Estadual Paulista) em Assis ( SP)

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