Colaboração da sociedade é fundamental para o desenvolvimento das cidades. A opinião é do empresário Cláudio Tedeschi, presidente da Associação do Desenvolvimento Tecnológico de Londrina (Adetec). Ele também sugere que as pesquisas realizadas nas instituições de ensino superior tenham como destino a iniciativa privada e não ''as gavetas''.

O assunto foi debatido recentemente durante o Fórum Desenvolve Londrina, que elaborou um estudo sobre Desenvolvimento Empresarial. A Adetec é uma das 30 entidades que participam do fórum. Experiências semelhantes são realizadas com sucesso em outras cidades do mundo, mas o começo não foi fácil.

Com base nesse estudo, qual a avaliação que se pode fazer sobre o desenvolvimento empresarial em Londrina?
Há uma desarticulação muito grande. Na verdade, a participação da sociedade, que é o que a gente chama de capital social, se faz cada vez mais necessária. Os principais ícones do seu desenvolvimento devem ser absorvidos pelas entidades que são perenes, e não continuar até hoje na filosofia brasileira em que os projetos são feitos por um governo e duram exatamente o tempo desse governo. Temos que começar a entender que os projetos estruturais têm que ser da comunidade e os executores serão os prefeitos que se sucederão, sempre aplicando os princípios que a sociedade determinar.

E como o fórum pode interferir neste sentido?
O fórum é um órgão que está no nível da proposição, é um órgão pensador. Não é nossa intenção entrar nem na área executiva, nem legistiva e nem de qualquer outra força já estabelecida na cidade. Essa metodologia já é aplicada com sucesso em mais de cem cidades ao redor do mundo. Na área do desenvolvimento empresarial a proposta é criar condições para melhorar o PIB, a distribuição de renda, enfim, tudo o que cria uma riqueza dentro da cidade.

E o que se pode falar em termos de perspectivas?
A cidade de Jacksonville, nos Estados Unidos, é o grande exemplo que temos. Eles levaram 10 anos para serem reconhecidos pelo prefeito e para a comunidade entender como o fórum funciona. Hoje, de 66 propostas, 62 foram incrementadas pelo prefeito. Nós pretendemos seguir esse caminho. Primeiro, a comunidade tem que entender o que é o fórum, como funciona. E é esse ganho de identidade, e principalmente de credibilidade junto à população, que vai fazer com que todos os nossos mandatários passem a assumir o compromisso de que esses trabalhos sejam desenvolvidos nas diversas ações que perfazem o governo municipal.

Este tipo de experiência pode contribuir para geração de empregos na cidade?
A cidade de Bilbao, na Espanha, saiu em 1985 de uma renda per capita de 8 mil euros anuais para 27 mil euros em 2005. Ou seja, você pode até triplicar a renda. Fazendo o quê? Desenvolvendo os ícones que a comunidade achou que eram interessantes, estudando e propondo. Não foi nenhum prefeito, aquele hábito de esperar que as autoridades façam alguma coisa. Todos os exemplos de grandes transformações ao redor do mundo, seja Barcelona, Bogotá ou Bilbao, tiveram a participação efetiva da sociedade organizada.

O fórum apontou que há falta de sintonia entre as pesquisas acadêmicas e a iniciativa privada...
Um dos grandes problemas de Londrina é que você tem uma academia muito forte, você produz ciência vigorosamente. Se você somar Embrapa, Iapar e a própria UEL, existe um fluxo de mais de R$ 100 milhões por ano destinados à pesquisa, mas o que se realiza em termos de patentes é insignificante. Falta a integração entre os centros de pesquisas e os empresários. Se você quer que isso chegue à iniciativa privada e à população, você tem que transferir todo esse conhecimento para os pequenos e médios empresários, principalmente. Essa é uma dificuldade muito grande que a gente encontra no Brasil inteiro e também em Londrina.

O ensino superior deveria se voltar mais ao setor produtivo?
Exatamente. Um dado importantíssimo que devemos levar em conta é o seguinte: na China, 53% de todos os cursos universitários são ligados à área de produção, são cursos técnicos. Na Coréia, 36%. No Brasil, são 18% na área de criação de tecnologia e 82% na área de humanas. Não é ser contra a área, mas está muito desiquilibrado. Em qualquer iniciativa de desenvolvimento no Brasil, por exemplo, há muita dificuldade em arrumar profissionais nas áreas de Engenharia, Química, Física.

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