MUNDO GLOBALIZADO - Homem do campo quer o lado bom da vida urbana
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terça-feira, 25 de maio de 2010
Eli Araujo<br>Reportagem local 
A população da zona rural quer acesso aos mesmos benefícios de quem mora na cidade, mas sem abrir mão das vantagens da vida no campo. Esta é uma das principais conclusões das conferências municipais e regionais de agricultura realizadas em várias cidades do Paraná.
Hoje, o agricultor quer qualidade de vida, acesso à internet e à telefonia celular, mas sem deixar de lado o contato e o respeito ao meio ambiente e o desenvolvimento sustentável. E para não mostrar que as necessidades não são tão diferentes das do homem urbano, está preocupado também com a falta de segurança na zona rural.
Os assuntos voltam a ser discutidos esta semana na Conferência Estadual de Agricultura, que será realizada a partir de hoje em Curitiba. Depois, o debate segue para âmbito nacional, de onde vão sair as propostas que podem transformar os anseios do produtor rural em leis e, consequentemente, em realidade. As conferências fazem parte da agenda do Ministério do Desenvolvimento Agrário voltada para a agricultura familiar.
Para o prefeito de Ivaiporã Cyro Fernandes, que representou a Associação dos Municípios do Vale do Ivai (Amuvi) na conferência territorial da microrregião, a integração do homem do campo ao status urbano é importante também para conter o êxodo rural. ''Para que o agricultor permaneça no campo, precisamos melhorar suas condições de vida'', destaca.
Quais os principais problemas enfrentados pelo homem do campo identificados nas conferências de agricultura?
A prioridade básica é estrada rural. Uma região desassistida por estradas rurais é como um tecido do corpo que está necrosando. O Vale do Ivaí, em especial nas últimas décadas, perdeu muito da sua população. O êxodo rural nas décadas de 1980 e 1990 foi muito grande. Muita gente deixou o meio rural para ir para os grandes centros urbanos, inchando as cidades. É do nosso interesse, e acho que deve ser do interesse de toda a sociedade brasileira, que o agricultor permaneça no campo, que a gente estanque esse êxodo, e para isso precisamos melhorar suas condições de vida.
Além das estradas, precisamos de investimentos públicos em correção de solo, em saneamento para sistemas de abastecimento - porque há comunidades rurais que estão ficando sem água - , em equipamentos de uso comunitário, como tratores e implementos agrícolas. É preciso investir em habitação rural. Você tem famílias que moram no meio rural, criaram seus filhos e netos e continuam vivendo em casas velhas, sem as condições sanitárias adequadas. O Programa Saúde da Família também deve estar mais presente onde vive o homem do campo.
O produtor rural, portanto, não quer sentir-se isolado...
Exatamente. Uma das demandas apresentadas foi o acesso à internet, à telefonia, à comunicação em geral, porque o agricultor não quer ficar isolado. Ele quer viver o mundo globalizado. Ele quer que o filho dele, que está na escola, tenha um computador em casa com internet. E isso significa não só desenvolvimento cultural, significa desenvolvimento econômico, porque o agricultor pode acessar um site, saber a previsão do tempo para os próximos 15 dias ou saber como se comporta o mercado para não ficar na mão do primeiro atravessador que ele vê na frente.
O homem do campo precisa ter uma vida que não deixe nada a dever para a vida urbana. Ele tem vantagens em viver no meio rural, como acordar com os pássaros e respirar um ar mais puro. Mas quer também o que existe nos meios urbanos, como acesso à internet, à telefonia celular e um bom sinal de televisão.
E como o senhor analisa a falta de segurança, que hoje também está presente no meio rural?
A população reclama da atenção que a Polícia Militar dá à zona rural. Quando alguém liga para a polícia, geralmente ouve para ir no dia seguinte fazer um boletim de ocorrência porque não há viatura para atender o distrito. Se é difícil dar assistência na sede do município, imagine então no meio rural? Faltam viaturas adequadas para a patrulha rural. Com isso, a zona rural fica ainda mais vulnerável porque está distante da atenção dos olhos da polícia.
E o que deve ser feito para que a paz volte a reinar nas áreas rurais?
Deveria ser reativada a Patrulha Rural, com policiais atuando especificamente na zona rural. Se os municípios tivessem uma patrulha, com policiais passando com frequência na sede dos distritos, isso com certeza traria sensação de segurança e inibiria muito mais a ação dos bandidos.
É do nosso interesse que o agricultor permaneça no campo
Se os municípios tivessem patrulha, inibiria a ação dos bandidos


