MUNDO CORPORATIVO - Inovação é palavra de ordem
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quinta-feira, 03 de dezembro de 2009
Paula Costa Bonini<br>Reportagem Local 
A competitividade é uma característica inerente ao sistema capitalista. É preciso gerar lucro, fidelizar clientes, oferecer um diferencial. Neste contexto, a palavra de ordem é inovação. Para sobreviver no mercado, as empresas precisam lançar produtos e serviços diferenciados e criativos, a fim de atender com qualidade todas as expectativas do consumidor.
Por isso, independentemente das mudanças ideológicas e políticas no comando, as organizações precisam implantar um sistema de gestão estratégica inovador. No entanto, no Brasil muitas empresas ainda não priorizam os conceitos de inovação e empreendedorismo. ''O País ainda está amadurecendo no que diz respeito à empresa privada competitiva'', ressalta Ricardo Felizzola, coordenador do Conselho de Inovação e Tecnologia (Citec) da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs).
Nesta entrevista, ele destaca que não apenas as universidades são importantes, mas que a educação básica também é impresncindível na formação de capital humano. ''Muitas vezes o ensino fundamental é encarado como um tema social, mas na realidade é econômico'', alerta.
Por que a maioria das empresas brasileiras não têm um ambiente voltado à inovação?
Estatisticamente não há a mentalidade de inovação. Ainda falta bastante para existir esta cultura nas empresas brasileiras. Muitas organizações precisam melhorar a própria gestão profissional e de governança. Isso acontece porque o Brasil ainda está amadurecendo no que diz respeito à empresa privada competitiva. A inovação é uma discussão recente que pressupõe atitudes de observação e comparação. A inovação acontece muito devido à globalização e a capacidade de entender a globalização ainda não está muito absorvida pelos empresários.
Quais os fatores que dificultam a implantação de estratégias inovadoras nas empresas?
Muitos empresários desconhecem ferramentas novas que são capazes de alavancar resultados. A falta de conhecimento é um fator de inibição, pois não se faz aquilo que não se conhece.
Qual a importância da participação das universidades nos processos de inovação empresarial?
A universidade entra com a formação de capital humano. Para fundamentar essa capacidade as instituições fazem pesquisa que podem estar associadas às empresas. As organizações podem estar interagindo com as universidades em pesquisas que tenham uso comum na formação de recursos humanos e na própria aquisição de conhecimentos novos. A interação entre as universidades e as empresas é muito frutífera desde que haja comprometimento das duas partes. As universidades não podem perder o foco em formar recursos humanos e, além disso, deve haver possibilidade de aproveitamento real nas empresas.
Qual a parcela de importância da educação básica na formação de capital humano?
O ensino básico tem uma importância muito grande. Para ter ambientes de inovação e de economia próspera é preciso ter capital humano e a fonte desse capital são pessoas bem educadas. É preciso educar na base. Muitas vezes o ensino fundamental é encarado como um tema social, mas na realidade é econômico.
Um sistema de gestão estratégica pode incentivar o desenvolvimento regional?
Para fazer uma gestão de excelência, toda região e todo município necessitam apelar para uma estratégia. O problema é como se organiza tudo isso. É importante ter conhecimento técnico. Toda estratégia regional e de comunidade vai depender da liderança e do conhecimento que se tem sobre gestão. É preciso criar um caminho, buscar uma direção para a região sempre aproveitando as potencialidades do local.
De modo geral falta perfil de empreendedor aos empresários brasileiros?
Há uma diferença grande entre empreendedor e empresário. O empreendedorismo é uma característica de qualquer ser humano pró-ativo que tenha visão do novo e que não se contenta em ocupar um espaço burocrático e rotineiro. Esse espírito nasce com o homem e pode ser menos ou mais desenvolvido dependendo da educação da pessoa. Muita gente acaba entrando na zona de conforto. O perfil empreendedor faz com que as pessoas tomem a iniciativa de criar novas empresas. O empreendedor é visto como aquele que fundou a organização, mas nem sempre é isso. Indivíduos empreendedores podem trabalhar em qualquer organização do setor público ou privado. As empresas, inclusive, buscam funcionários empreendedores. O empresário surge no momento em que uma pessoa toma a frente e investe em uma organização. Nem sempre essa pessoa é empreendedora


