Toda empresa, independentemente do segmento, busca ganhar e consolidar espaço no mercado. Os empresários buscam fidelizar clientes, superar a concorrência e aumentar o lucro. Mas a maioria não investe em um fator primordial: a inovação. Por essa razão, indústrias brasileiras deixam de ser competitivas em relação a outros países. O alerta é do empresário Valter Orsi, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Londrina (Sindimetal).
''Infelizmente, no Brasil, as pesquisas são restritas ao ambiente acadêmico. Em outros países todo o conhecimento é descarregado nas empresas, o que gera inovação e tecnologia de ponta'', lamenta. Segundo Orsi, a competitividade das indústrias brasileiras também é prejudicada pela carência de mão de obra qualificada e pela falta de excelência nos produtos e nos serviços. ''Ao cometer erros, o empresário prejudica toda a região'', alerta.
Atualmente, em Londrina, a indústria representa 18,4% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS). Somente no ano passado, o segmento recolheu R$ 73.280.500,00 para os cofres públicos da cidade. Os dados são do Instituto de Desenvolvimento de Londrina.
Em entrevista à FOLHA, Valter Orsi trata das principais dificuldades enfrentadas pelo setor industrial e destaca a importância de iniciativas para aumentar a qualificação de mão de obra. Ele também aborda o desempenho do Brasil, que ocupa o 38º lugar entre 58 nações no Índice de Competitividade Mundial 2010 - estudo elaborado pelo Institute for Management Development (IMD) em parceria com a Fundação Dom Cabral.
Por que o setor industrial nacional tem tanta dificuldade para concorrer no mercado mundial?
Competitividade é um assunto muito delicado. Os outros países têm um avanço tecnológico muito violento. É difícil ver produtos brasileiros competindo no exterior. Somos nós que recebemos produtos de fora. Para ter mercado mundial, a empresa tem que ter excelência e tecnologia de ponta.
E mais do que nunca as empresas têm que se preocupar com o cliente. É preciso atender e se possível superar as expectativas dele. Antigamente, a pessoa ia comprar um Volks branco e saia da loja feliz com uma Kombi preta. A gente não comprava o que queria, eles vendiam o que tinham. Hoje, a pessoa monta o carro que quer e se não tiver um acessório ela muda de veículo. O cliente tem um poder muito forte perante a empresa.
A falta de mão de obra qualificada é um dos principais gargalos que impedem um melhor desempenho da indústria brasileira no ranking mundial de competitividade. Quais estratégias as lideranças do setor devem priorizar para melhorar a formação de funcionários?
Para oferecer produtos excelentes é preciso ter mão de obra qualificada. Temos uma parceria forte com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), que este ano vai atender uma reinvindicação nossa. A instituição passará por reformas e será ampliada para qualificarmos mais jovens. A falta de mão de obra capacitada é um problema seríssimo.
Precisamos ter mais centros de capacitação. Hoje temos milhares de jovens no ensino médio que não serão capacitados. Enquanto outros países investem na área técnica, no Brasil os alunos vão direto para o ensino superior. Estamos lutando para reverter esse quadro, pois as escolas técnicas fazem a diferença. Hoje, há cerca de quatro mil jovens sendo capacitados no Senai. E existe o Cefet (Centro Federal de Educação Tecnológica) que também forma mão de obra qualificada.
A campanha ''Agregue mais valor à sua empresa'', lançada pelo Sindimetal, destaca quatro conceitos importantes: pontualidade na entrega, qualidade dos produtos, eficiência na resolução de problemas e excelência no atendimento. Como incentivar o empresariado a comprometer-se com essas metas?
Há empresários que reclamam que estão perdendo clientes, que o mercado está mais restrito. Eles detectam inúmeros problemas, mas não vão nas causas. O objetivo do sindicato é alertar os empresários que, por trás das deficiências, existem causas. Queremos que os nossos associados estejam pautados nessas quatro ações. Com isso, eles vão fidelizar clientes, o que é extremamente importante. Ao cometer erros, o empresário prejudica toda a região. A campanha vai consolidar o setor metal mecânico, agregando novos clientes ao segmento.
Todos os anos estamos levando empresários para feiras em São Paulo. E estamos marcando para o segundo semestre uma visita à China, a fim de conhecer as tecnologias disponíveis.
Qual sua avaliação sobre o desempenho do País no Índice de Competitividade Mundial 2010 - 38º lugar entre 58 nações avaliadas? Por que estamos tão distante das primeiras posições?
No Brasil, poucos empresários buscam inovações. Grande parte das empresas abertas no País apenas faz melhorias no processo. Uma concorre com a outra. Por exemplo, há muitas padarias no mercado e a pessoa abre uma melhor do que as que já existem. Diferentemente de outras nações, onde o empresariado quer inovar, alavancar o mercado. Nosso posicionamento é ruim porque falta inovação nos produtos e nos serviços.
Para tentar reverter isso, estamos premiando trabalhos de conclusão de curso. Pois, infelizmente, não temos as universidades dentro das empresas. O conhecimento fica restrito às academias. Em outros países o conhecimento é descarregado nas empresas, o que gera inovação e tecnologia de ponta. Mas nossos mestres, doutores e estudiosos ficam nas universidades enquanto as empresas lutam sozinhas num mundo extremamente competitivo. Esse é outro desafio que ainda temos que superar.

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