Quando foi convidada para ser voluntária da Pastoral da Criança, em Londrina, Maria Aparecida da Silva, pensou: ''Será que eu estou preparada?''. Isto porque, na época, não sabia ler e escrever. Mas, já conhecia o alcance da Pastoral. Moradora da Vila Marízia, favela na área central da cidade, Maria Aparecida teve seus filhos assistidos pela Pastoral da Criança.
A mais velha, Ariana da Silva Jordão, que hoje tem 14 anos, nasceu normal, mas com quatro meses começou a perder peso. O segundo filho, Mathias Aparecido da Silva Vitor, de 8 anos, nasceu prematuro, apesar do acompanhamento de voluntárias desde o ventre materno. ''Ele era bem magrinho, parecia que não ia nem sobreviver'', lembra. Foi a multimistura acrescentada ao leite e outros alimentos que garantiu a sobrevivência dos filhos.
Mérito reconhecido, Maria Aparecida tratou de ''cuidar'' de outras crianças da favela e, mesmo sem saber ler, há nove anos iniciou o trabalho de voluntária. ''No começo eu só acompanhava (outras voluntárias), ajudava a pesar, mas para lidar com o caderno (do líder) precisava saber mais um pouquinho''.
Esse ''pouquinho'' ela conseguiu com aulas de alfabetização da própria paróquia, fez cursos de capacitação da Pastoral, e hoje é uma líder. No seu caderno de líder, hoje, ela registra, feliz, 28 famílias para ''cuidar''. ''Às vezes eu saio de manhã e só volto à noite para casa, mas eu faço com amor. Elas são as 'minhas' crianças e não tem nenhuma abaixo do peso'', comemora.
Da filha Ariana, hoje, ela cobra o aleitamento materno para a neta Aryelle Jordão da Silva, de quatro meses. ''A gente não sabia muito bem o que era o leite materno, mas a minha neta, olha só, está assim só com o leite da mãe. Eu aprendi muito'', diz, orgulhosa. Ariana, que se lembra das visitas da ''tia'' da Pastoral, ''trazendo banana'', quer seguir o mesmo caminho: ''Também vou ser voluntária''. C.P.

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