Para alguns, a pichação é uma forma de protesto ou uma marca da desigualdade social. Para outros, o ato de rabiscar e pintar a parede alheia é um crime que precisa ser combatido. Mas o fato é que, em muitas cidades brasileiras, a pichação tornou-se um grande problema, pois suja e danifica o patrimônio público e privado, causando grande prejuízo. Em Londrina, a Câmara Municipal decidiu que o momento é de endurecer a penalização para pichadores, aprovando uma mudança radical na Política Municipal Antipichação, aprovada em 2015 pelo ex-prefeito Alexandre Kireeff. A principal alteração é em relação aos valores da multa. Quem for pego escrevendo ou desenhando em paredes, muros e monumentos vai pagar uma multa salgada. Há três anos, a prefeitura estabeleceu o pagamento de R$ 500 para quem fosse flagrado danificando prédios. Mas, na opinião dos vereadores que apresentaram a proposta, a cifra não põe medo nos infratores. Por isso, o projeto aprovado agora pelos parlamentares manda aplicar uma multa de R$ 5 mil para quem descumprir a legislação. E o prejuízo no bolso do pichador não termina por aí. Ele ainda será obrigado a pagar as despesas de restauro do bem danificado e, em caso de reincidência, a multa passa para R$ 10 mil. Se o pagamento não for feito, o inadimplente será inscrito em dívida ativa. Segundo a Lei de Crimes Ambientais, a pichação prevê detenção de três meses a um ano. O dinheiro arrecadado com as multas será destinado à compra de equipamentos para a Guarda Municipal de Londrina. O projeto de lei espera sanção do prefeito Marcelo Belinati. Não é fácil flagrar esse tipo de crime. Depende muito do patrulhamento nos locais mais visados e da instalação de câmeras de segurança. O Zerão, cartão-postal de Londrina, é um local que sofre constantemente com essa prática. Sem entrar na discussão de pichação e grafitagem – quando termina o vandalismo e quando começa a manifestação artística -, o fato é que a pichação é uma intervenção muito agressiva aos moradores, à paisagem e ao município. Talvez, atacar o bolso do pichador seja mesmo uma solução mais efetiva.

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