Bagdá As mulheres iraquianas, que sofreram tanto com a guerra e agora têm medo de ser vítimas dos islamitas, ansiosos de vingar-se de Saddam Hussein e de seus princípios laicos, se mostram pouco entusiasmadas com o conceito norte-americano de ''liberdade''.
Elas têm que enfrentar as dificuldades da vida cotidiana, às quais agora se somam a falta de energia elétrica, de água potável e medicamentos. Assistem impotentes ao destino de seu país e principalmente ao de seus próprios filhos.
A maternidade Kadnija, um estabelecimento recentemente saqueado que se encontra nos arredores de Bagdá, simboliza somente uma parte de sua dor.
Marasha Rassul, de 22 anos, chora junto a seu bebê de seis meses, com meningite. O bebê se encontra em estado de coma há quatro dias. Suas possibilidades de sobrevivência são muito pequenas, devido à falta de cuidados apropriados.
''Nós não gostávamos de Saddam Hussein. Ele tinha muitos palácios, mas jamais se preocupou em saber em que condições nós vivíamos. Só vivemos para ver nossos familiares morrerem'', lamenta-se.
Sob seu véu, uma enfermeira, Soha Sadif, de 25 anos, tenta dominar o sentimento de injustiça que a sufoca ante a tragédia iraquiana. Afirma que sua vida ''se despedaçou'' e tem medo do futuro. Para ela, o sonho americano se transformou em pesadelo.
''Meu irmão e outros sete membros de minha família morreram quando os norte-americanos bombardearam nossa casa, há três semanas'', explica.
''Tenho de ser forte para ajudar minha mãe'', acrescenta Soha Sadif, que há meses não recebe seu salário mensal equivalente a 7,5 dólares.
As mulheres iraquianas, que constituem mais de 60% da população iraquiana (25 milhões de habitantes), já sofreram 12 anos de privações e miséria, devido ao embargo que afeta o país desde a guerra do Golfo.
Em menos de um mês, foram testemunhas e vítimas da queda de Saddam Hussein, da invasão norte-americana e assistiram ao surgimento das reivindicações religiosas da maioria xiita.
Esta comunidade majoritária, mas quase reduzida ao silêncio por Saddam Hussein, um sunita, está se tornando uma força de peso, capaz de impor suas exigências.

mockup