Mais do que a falta de informação, os funcionários da Secretaria de Saúde de Londrina que trabalham no Programa de Planejamento Familiar se surpreendem com a resistência que encontram entre as mulheres de baixa renda. ''A gente organiza palestras, divulga e pouquíssima gente aparece. Quando falamos dos métodos anticoncepcionais, a maioria das mulheres diz que não pode tomar isso, não pode tomar aquilo, enfim, elas sempre têm reações adversas'' - conta Angela Lima, coordenadora da Unidade Básica de Saúde do Jardim Marabá.
Depois de quase 10 anos trabalhando com planejamento familiar em comunidades pobres, Angela parece ter uma explicação para essa resistência: ''Essas mulheres não têm expectativa de vida nenhuma. Elas só sabem ter filhos. Muitas vezes, engravidar é a chance de sair de casa para tentar vida própria; outras vezes elas engravidam achando que vão segurar o companheiro'', explica.
A visão de maternidade também é diferente: '' Elas não têm que pagar escola, se preocupam pouco com a educação das crianças'', observa.
O desafio de criar um Programa de Planejamento Familiar e viabilizar métodos para a população de baixa renda parece ter sido vencido. Resta agora convencer a população a participar do programa. Talvez esta seja a tarefa mais difícil. ''Se a gente não investir em educação, não der uma possibilidade melhor de vida para essas pessoas, uma perspectiva de emprego, não vamos conseguir sensibilizar essas mulheres. Quem precisa correr atrás de um quilo de feijão prá fazer almoço não tem cabeça prá pensar em planejamento familiar''-conclui. F.F

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