O ingresso da mulher no mercado de trabalho e o aumento da sua contribuição no orçamento familiar garantiram a elas um maior ‘‘poder de barganha’’. Antes restrito às atividades domésticas, hoje o sexo feminino ganhou voz na sociedade e dentro do seu próprio núcleo. Tanto que pesquisa do Instituto DataPopular indica que são das mulheres as principais decisões referentes ao planejamento financeiro. Elas definem as compras do supermercado, as viagens de férias da família, as roupas do marido e até produtos habitualmente mais ligados ao universo masculino como automóveis e computadores.
  Esses dados indicam que a mulher amadureceu, aprendeu a conhecer seus limites e a superar barreiras ou dificuldades. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2011 (último levantamento disponível) mostram que as mulheres são maioria da população em idade ativa (53,8%), mas são minoria entre a população ocupada (45,4%). Mesmo em menor proporção no mercado de trabalho, as mulheres ganharam maior participação na sociedade porque também estão interessadas nas questões econômicas e estão mais informadas e escolarizadas.
  Embora tenham conquistado poder de decisão na família, ainda há importantes desafios a serem superados. Dados do IBGE revelam que a desigualdade salarial entre homens e mulheres ainda é muito significativa, embora em trajetória de queda. Em 2010, o censo demográfico apurou que o rendimento médio mensal dos homens com carteira profissional assinada ficou em R$ 1.392, enquanto que o das mulheres foi cerca de 30% menor, atingindo R$ 983. Além disso, elas têm menos espaço em postos de comando das empresas chegando a ocupar apenas entre 20% e 30% dos cargos de chefia.
  Talvez, esta seja uma das principais barreiras ainda a serem superadas: o preconceito. Se elas já têm o poder de decisão das famílias, conquistaram importante espaço na vida pública do Brasil e do mundo e são mais escolarizadas não há motivo lógico para que recebam salários menores ou não ocupem cargos de chefia. Se a Constituição Federal afirma que todos são iguais, é preciso perseguir com mais afinco esse direito fundamental aos brasileiros.

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