Mulheres nas ciências
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de junho de 2020
Folha de Londrina 
Com o objetivo de valorizar o papel das mulheres nas ciências e incentivar mais meninas e adolescentes a buscarem uma carreira como cientistas, a UFPR (Universidade Federal do Paraná) lançou uma cartilha de passatempos para o período de isolamento social com foco no trabalho das mulheres que fizeram e fazem história nesse ambiente dominado pela figura masculina.
A FOLHA trouxe na edição de 13 e 14 de junho uma reportagem especial sobre a cartilha preparada pela UFPR e sobre mulheres que fizeram história disseminando o conhecimento.
Em entrevista ao jornal, a docente do Departamento de Química e coordenadora do projeto de extensão “Meninas e mulheres nas ciências”, da UFPR, Camila Silveira, apontou que um estuda da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) revelou que as mulheres representam menos de 30% entre os pesquisadores no mundo.
Ester Sabino, Jaqueline Goes de Jesus, Kizzmekia Corbett, Nísia Trindade, Ana Néri, Rosalind Franklin, Florence Nightingale, June Almeida e Sara Del Valle são nomes destacados na cartilha. Ester Sabino e Jaqueline Goes de Jesus são pesquisadoras da USP (Universidade de São Paulo) e lideraram a equipe responsável pelo sequenciamento do genoma do novo coronavírus em apenas dois dias.
Os resultados auxiliam na análise da propagação da doença e da mutação do vírus. A pesquisadora afro-americana Kizzmekia Corbettt, que atua no Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, também é lembrada por ser uma das cientistas em busca da vacina contra a Covid-19.
No Brasil e em muitas partes do mundo a exclusão das mulheres na ciência é naturalizada. De uma maneira geral, as meninas não são incentivadas a buscarem um curso de graduação nas áreas de ciências exatas e tecnologia. E quando se fala em cientista, a primeira imagem que vem em mente é a figura de um homem.
A professora Camila Silveira lembrou a importância de trabalhar esse imaginário coletivo com a divulgação da contribuição das mulheres à ciência.
A cartilha está disponível na internet, mas o grupo busca parcerias para imprimi-la e distribui-la para as famílias que não têm acesso à internet.
O maior desafio é cortar desde a infância a construção de estereótipos de que os meninos têm habilidades que os tornarão astronautas e as meninas têm habilidades para cuidar de casa e educar crianças. Trata-se de mudar a perspectiva. Nenhuma escolha é certa ou errada. Mas é preciso que as jovens tenham opção de escolha.
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