Com a aproximação de mais uma eleição, é o momento de questionar o que os partidos estão fazendo para aumentar a representatividade das mulheres na política. A lei eleitoral garante reserva de 30% de vagas para mulheres em cargos do legislativo, assim como 30% dos recursos públicos de campanha para candidatas. Mesmo diante de tais garantias, na prática os resultados ainda estão aquém do ideal. As mulheres são15% na Câmara dos Deputados e 14,8% no Senado. Nos Estados, o quadro normalmente se repete. Na Assembleia Legislativa do Paraná, o índice de representação feminina é ainda mais baixo. São cinco mulheres entre os 54 deputados paranaenses, um percentual de apenas 9%. E na Câmara Municipal de Londrina, houve um retrocesso no último pleito, com a eleição de apenas uma vereadora – na eleição anterior foram eleitas três representantes do sexo feminino.

O que fazer para mudar esse quadro? Na Câmara dos Deputados, essa é uma das preocupações da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, organismo criado em 2016. O grupo, formado por mulheres e homens, tem tido papel importante no combate à violência, tendo participado da implementação do Botão do Pânico e da lei recém-aprovada que obriga a notificação de violência doméstica detectada em serviços de saúde.

A presidente da comissão é a deputada londrinense Luísa Canziani, que concorda que é preciso aumentar o índice de representatividade na Casa para além dos 15% atuais. Esse foi o índice utilizado pela ONU Mulheres para alimentar uma pesquisa comparativa internacional. O Brasil ocupa a vexatória 133ª posição no ranking que mede a participação de mulheres na política, entre 192 países. Na Argentina, a presença feminina tem quase 39%, uma parcela que superou o que era definido por lei. Tanto que o texto que definia que as mulheres deveriam ocupar 30% das vagas foi alterado este ano para garantir agora 50% das vagas no legislativo.

Na Bolívia e em Cuba, a paridade de gênero já foi atingida. E ambos os parlamentos contam com 53% de legisladoras. Entre as metas das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável consta a participação efetiva e igualitária de oportunidades para mulheres na política, na economia e na vida pública.

A política é uma das inúmeras áreas em que a mulher está em situação de desigualdade. Mas enquanto em outros setores são percebidos avanços, o cenário continua extremamente assimétrico quando se trata de cargos eletivos. É uma mudança a médio e longo prazos. Mas é um bom começo se hoje o poder público fazer valer o que já existe na legislação. Não é uma questão apenas de cotas ou de obrigação, é questão de participação e respeito. A gestão pública se responsabiliza por uma sociedade feita de homens e mulheres, por isso, é natural que ela tenha homens e mulheres com igualdade de voz.

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