Mulheres em perigo
Diante dos números elevados de casos de violência de gênero, a data de 25 de novembro, Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher, deveria receber tanta atenção quanto o 8 de março, quando se comemora as conquistas do sexo feminino. O século é 21, mas as denúncias remetem à Idade Média. No último final de semana, um casal de Curitiba foi preso por manter duas jovens em cárcere privado. Uma moça de 20 anos e uma adolescente de 15 anos trabalhavam em atividades domésticas sem remuneração e há suspeita que sofriam abuso sexual. As duas ganharam a liberdade porque o casal saiu de casa, no bairro Atuba, e esqueceu as chaves em local acessível. As mulheres pediram ajuda para os vizinhos que as socorreram e chamaram a polícia.
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), uma em cada três mulheres no mundo já sofreu violência física ou sexual. Cerca de 120 milhões de meninas já foram submetidas a sexo forçado e 133 milhões de mulheres e meninas sofreram mutilação genital. Muitos pensam que são casos distantes e que acontecem principalmente no Oriente Médio ou na África. Mas isso não é verdade. Conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2013, foram registrados 50,3 mil estupros no País, uma média de quase seis a cada hora, um a cada 10 minutos. No relatório da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Violência Contra a Mulher, feito pelo Congresso Nacional, o Paraná foi apontado como o terceiro Estado mais violento com relação a homicídio de mulheres, com uma taxa de 6,3 mortes a cada 100 mil mulheres. A média nacional ficou em 4,4 homicídios.
O número é realmente alto e a situação precisa ser combatida. A solução para um problema tão sério passa pelo acesso das mulheres à educação, à informação e ao mercado de trabalho. A diminuição desses índices também pede um melhor preparo da polícia no recebimento e na investigação das denúncias. A violência de gênero não pode continuar invisível aos olhos das autoridades e da sociedade, que acabam tratando o crime como algo restrito ao ambiente familiar.





