As causas externas de mortes têm afetado de maneira bastante preocupante as mulheres paranaenses. Nessa classificação estão os óbitos de causas não naturais ou de causas violentas, como os acidentes de trânsito e homicídios. Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) mostram que no Paraná os homens continuam morrendo mais em razões de fatores externos. Mas há um fato novo: a variação da mortalidade por causas externas em dez anos foi maior entre pessoas do sexo feminino. De 2004 a 2014, as mortes de mulheres por esses fatores aumentaram 20,22%, e de homens, 4,9%, quatro vezes menos.
De acordo com as estatísticas do SIM, entre as causas externas, os acidentes de trânsito foram as ocorrências que mais mataram mulheres em 2014 no Paraná: foram 595 vítimas. Em seguida, aparecem outros tipos de acidentes, como quedas, afogamentos, choques elétricos e incêndios, com 575 mortes. Os homicídios estão em terceiro lugar entre as mortes femininas por causas externas, com 284 óbitos, e os suicídios vêm em quarto, com 111 mortes.
Os fatores externos de mortes entre as mulheres é tema de reportagem neste domingo, na FOLHA, mostrando que eles representam hoje o terceiro principal tipo de mortalidade no Estado, ficando atrás, apenas, de doenças cardiovasculares e neoplasias.
É preciso considerar que atualmente, as mulheres estão se expondo mais aos riscos da violência do que há algumas décadas. Exemplos dessa situação são o envolvimento delas no tráfico de drogas e o crescimento da mortalidade no trânsito.
O problema é que as mortes de causas externas acabam sendo tratadas como ocorrências inesperadas. Nessa linha de pensamento, corre-se o risco de deixar de lado a prevenção e os cuidados. Os acidentes de trânsito, que tiraram a vida de tantas mulheres no ano passado, precisam ser encarados como um problema de saúde pública. Caso contrário, corremos o risco de ver essa estatística subir ainda mais.

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