Mulheres dominam setor de vendas diretas
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domingo, 15 de julho de 2007
Ciça Vallerio<br>Agência Estado 
São Paulo - Um milhão e meio de brasileiras, munidas de catálogos e empenhadas na comercialização de tudo quanto é tipo de produto, é responsável pelo crescimento do setor de vendas diretas. Nos últimos três anos, o volume desse tipo de negócio aumentou 60%.
Em 2006, a dinheirama que circulou no mercado foi de R$ 14,5 bilhões, 18% acima do volume do ano anterior. Essas mulheres venderam 1,2 bilhão de unidades, entre artigos de beleza e higiene pessoal, roupas, utensílios domésticos, suplementos nutricionais, entre outros.
Os dados fazem parte da pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD) em parceria com a WFDSA (sigla em inglês para a Federação Mundial das Associações de Vendas Diretas), com o apoio da empresa Ernst & Young.
''Do total de 1,6 milhão de revendedores, 94% são mulheres'', ressalta Rodolfo Guttilla, presidente da ABEVD. ''Muitas são atraídas pelas facilidades oferecidas nesse tipo de negócio, como flexibilidade de horários. Além disso, não há restrições para o ingresso no setor, como nível de formação.''
Creuza Campelo, de 57 anos, mãe de três filhos já moços, esposa e dona de casa, deixou de ser apenas consumidora e aceitou o convite de uma amiga para ser consultora de uma empresa de cosmético. Organizada e obstinada, seus ganhos ultrapassaram os do marido. Hoje, oito anos depois, ela conta com orgulho que conseguiu comprar duas casas em Poá (SP), e mais uma casa no litoral paulista.
O patrimônio foi alcançado também graças aos prêmios que recebeu pelo programa de incentivo da empresa: três motos e três carros. Os muitos eletrodomésticos que ganhou, como geladeira e fogão, lhe serviram para equipar as casas. Ainda na ativa, Creuza ajuda a filha caçula, que segue os passos da mãe. Juntas, administram um negócio que não é mais informal, mas sim uma pequena empresa.
''No começo foi difícil, não sabia direito como lidar com a parte financeira, então fiz o curso do Sebrae e não parei mais. O importante é se aperfeiçoar. Aprendi a investir no estoque: assim, quem compra na minha mão leva o produto na mesma hora, não precisa esperar a encomenda chegar. Mantenho uma equipe de 200 revendedoras. Costumo incentivar as mulheres a não dependerem economicamente de seus maridos, pois foi o que me motivou no passado'', diz ela.
O estudo da ABEVD aponta o perfil das revendedoras brasileiras: 42% têm idades entre 18 e 34 anos e 41%, entre 35 e 49 anos; 65% são casadas; 81% vivem em áreas urbanas e 45% não concluíram o ensino médio, enquanto 46% têm esse grau de instrução e 9% são diplomadas. A remuneração média é de R$ 2.113,00.
Há quem abdique da carteira assinada para trabalhar com venda direta. Rosana Caxito, de 37 anos, era auxiliar de escritório e engordava o salário vendendo produtos de beleza para os colegas de sua empresa. Acabou pedindo as contas para se dedicar integralmente à segunda atividade.
Aos poucos, foi ampliando a rede de clientes. Criou táticas para se diferenciar de outras consultoras. Por exemplo: entrega os produtos com maior rapidez porque aproveita as promoções para comprar as mercadorias por preços mais baixos, aumentando o estoque e a margem de lucro.
''Não tinha carro, pegava ônibus com sacolas pesadas, dependia de carona para buscar mercadoria'', lembra Rosana, que há dez anos mantém a revenda da Natura. ''Hoje tenho uma vida estável, e o meu rendimento mensal me possibilitou comprar um apartamento e um carro. Prezo a flexibilidade de horários. À noite, ainda vou para a academia.''
De acordo com Guttilla, presidente da ABEVD, o Brasil passou a despontar no mercado mundial de venda direta a partir dos anos 90. Hoje, o País ocupa a quinta posição nesse ranking, atrás de países como Alemanha (quarto lugar), Coréia (terceiro), Japão (segundo) e Estados Unidos (primeiro).


