No início fez Deus o homem, mas logo viu que o mundo era monótono. Colocou nela delicados adereços que fascinariam seu parceiro masculino. E viu que era bom o que havia feito. Depois descansou.
Levanta-te, querida minha (...) e vem./Porque eis que passou o inverno./ (...)Aparecem as flores,/chegou o tempo de cantarem as aves/e a voz da rola ouve-se em nossa terra./A figueira começou a dar figos, e as vides em flor exalam o seu aroma./Levanta-te (...) e vem,/pomba minha, que andas pelas fendas dos penhascos,/no esconderijo das rochas escarpadas./Mostra-me o teu rosto,/faze-me ouvir a tua voz,/porque é doce a tua voz e amável o teu rosto‘‘!
É dos cantares de Salomão. Está na Bíblia.
Conta-se de Sócrates - filósofo grego que nunca teria existido mas seria apenas um personagem de Platão - que o discípulo fora aconselhar-se com ele se devia casar-se, e o mestre lhe respondeu: Se for uma boa mulher, você será feliz. Se for má como a minha, você se tornará um filósofo...
Mulheres. Elas são um bem necessário.
Não temos que entender as mulheres, porque nunca as entenderemos. Bastará entender que são mulheres.
...E criou o homem o Dia Internacional da Mulher - este 8 de março - uma data que ele encontrou vaga no calendário. E decidiu conceder-lhe direitos. Permitiu-lhe igualdade perante o homem. Outorgou-lhe cidadania, para que pudesse exercer atividade semelhante à dos varões. Emancipou-a.
Mas não lhe competia. Porque simplesmente não era ele detentor de tal poder. Se não era senhor dessas concessões, como pretendeu outorgá-las? Arrogou-se concessionário de algo que não detinha. Porque não é o homem tutelador da mulher. Não concederá o homem direito algum à mulher, já que não é possuidor desse direito. Porque dela já são todos os direitos.
Seria admissível a presunção de nos arrogarmos concedentes do espetáculo da natureza? Das coisas que já eram e são e estão?! É outro o detentor dessa concessão...
Dia da Mulher não é preciso. Porque dela são todos os dias.
Já escrevi isto, e repetir não é demais, que sem a mulher o homem nem seria. Mesmo que por alguma outra alquimia houvera sido gerado, sem mulher ele não faria sentido. Seria uma inutilidade da Criação.
Não fosse a mulher, quem perpetuaria a própria mulher?
A mulher foi sempre a impulsionadora de todas as coisas. Homens que redirecionaram a história ou redirecionaram a si próprios sempre tiveram, a inspirá-los, a presença (ou a saudosa e às vezes sofrida ausência) de uma mulher. O homem sem mulher, ou que não esteja com vistas a uma, é um homem desmotivado. Anda em círculo, não leva adiante grandes empreitadas. Diante das investidas mais ousadas do homem sempre está a contemplá-lo a figura real ou imaginária de uma mulher. Sem a mulher falta ao homem a referência, um ponto de identificação. O homem projeta-se na mulher que ama ou que sonha vir a amar, e sabe que em algum lugar ela se encontra. Vive a fantasia de sentir-se amado e a ela entregar-se. Algo irresistível que ele não domina bem e que, no mais das vezes, administra mal.
As divindades também têm o seu componente/par, porque é da natureza divina. Almas gêmeas se reencontram e se reentrelaçam, aqui e além. O homem imana e imita o divino. É-lhe inevitável essa impulsão.
Já se sabe que metade da população do mundo é constituída de mulheres e que a outra metade foi gerada delas.
A mulher. Neste 8 de março vamos reverenciá-la. Bom é que a tenhamos reverenciado nos dias antecedentes e que a reverenciemos nos subsequentes.
E não nos esquecer de lhe mandar flores. Para ela é que foram feitas as flores.
...‘‘Quem é esta que aparece como a alva do dia, formosa como a lua, pura como o sol?’’...
Preso ao amor da mulher que ama, o homem torna-se livre!

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