Mulheres de fibra
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de março de 2003
Gilberto Jordão 
A mulher conquistou ao longo de sua vida o direito de participar ativamente nesse projeto que é a sociedade. Ela contribui entusiasticamente para essa formação, pois esse é o papel no qual ela mais se destaca. Esse ser, que se chama mulher, sempre teve em seu bojo a palavra perdoar.
Passou anos lutando por sua liberdade, bem como a liberdade de servir. Ela sempre soube que é imprescindível esquecer o mal, para o bem se efetuar. Em seu local de trabalho, exercita a tolerância construtiva para que sua tarefa seja convincente.
Vive em uma sociedade complexa e preconceituosa. Está, ainda, sob a batuta de uma política machista. Mas, aos poucos e com muita astúcia, as mulheres estão mostrando que são e sempre serão capazes de galgar todos os postos de trabalho, desde gari até o posto máximo de qualquer país.
Se olharmos para o passado vamos observar o quanto as mulheres eram descartadas. Observamos, hoje, que elas foram, são e sempre serão a peça fundamental para a sociedade.
O Código Civil, de 1916, continha preceitos que consideravam a mulher relativamente incapaz. Antes do Estatuto da Mulher Casada, a mulher somente poderia trabalhar mediante consentimento expresso do marido.
Com a atual Constituição (1988), a mulher e o marido ficaram absolutamente equiparados na função de chefe de família, não existindo mais a figura ''do cabeça'' do casal, que antes era exercida pelo marido.
Essa mesma Constituição garantiu proteção de mercado de trabalho à mulher, através de incentivos específicos. Na CLT há um capítulo inteiro a respeito da proteção do trabalho da mulher (artigo 372 e 378).
A Constituição de 1934, promulgada por Getúlio Vargas, assegurou a Vida Cívica da Mulher, ou seja, deliberou, em seu artigo 108, que a mulher brasileira passaria a ter o direito de votar e ser votada.
As mulheres mostraram, ao longo dos anos, que as árvores podadas ampliaram seus frutos. Mesmo sem uma liberdade ampla elas avançaram e alcançaram um lugar de destaque no núcleo dessa sociedade discriminadora.
Sempre agem sob a inspiração direta do amor por tudo o que fazem. Esse sempre foi o caminho que elas tiveram para ter acesso à liberdade.
A preparação para uma participação ativa na vida do dia-a-dia de cidadã tornou-se, para as mulheres, uma missão de caráter geral, uma vez que os princípios democráticos se expandiram pelo mundo.
Pois bem, amanhã, dia 8 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher, e elas estão sendo as estrelas no mundo inteiro. Mas não podemos deixar que seja apenas um dia, mas sim, queremos que elas sejam lembradas todos os dias. Porque são elas que toleram, muitas vezes, a ingratidão, a amargura do rancor do cônjuge, o fardo que ninguém quer carregar, a agressão, a incompreensão, o assédio etc.
Quer queira ou não, há que se reconhecer a sua verdadeira vitória. Parabéns por seu dia, mulheres de fibra!
GILBERTO JORDÃO é professor universitário em Maringá


