Mais da metade das mulheres londrinenses com mais de 40 anos têm osteoporose ou osteopenia, o início da temida doença que fragiliza os ossos e muitas vezes causa imobilidade permanente. A estimativa é de um grupo de profissionais de saúde do Hospital de Clínicas (HC), que trabalham num projeto inédito de prevenção da doença. O cálculo é baseado nas pesquisas que eles têm feito com servidoras da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e que apontam números assustadores: no primeiro grupo analisado, 68 das 122 mulheres examinadas tinham problemas com osteoporose.
O projeto começou em 2001, tem dois grupos formados e pretende iniciar um terceiro ainda este ano. Participam 220 mulheres com mais de 45 anos de um total de 1800 servidoras da universidade nesta faixa etárea. ''A idéia surgiu durante o trabalho com um grupo de mulheres no climatério, aqui mesmo no HC'' - conta a assistente social Edna Ricci. ''Nós começamos a perceber vários casos de osteoporose e vimos que aquelas mulheres não tinham orientação nem tratamento disponíveis'' - complementa. Participam do projeto uma nutricionista, uma enfermeira, duas assistentes sociais, um médico ginecologista, um médico reumatologista e uma técnica de educação física. Eles se reúnem com as mulheres todas as manhãs de quarta-feira, numa sala do próprio HC.
Sentadas em círculo, elas têm aulas de alongamento, aprendem exercícios físicos simples que podem ser feitos em casa, são estimuladas a caminhar. Aproveitam para tirar as dúvidas com a técnica de educação física. Na semana que vem vão ter palestra com a nutricionista e na outra, com o ginecologista. Essa é a rotina do grupo, que recebe todo tipo de orientação sobre a doença e as formas de prevenção. Além disso, as mulheres que já desenvolveram a osteoporose são medicadas. Todas passaram por exames de saúde e de densitometria óssea.
A gratuidade dos exames e tratamento é mais um estímulo para a participação das mulheres. Só o exame de densitometria custa aproximadamente R$ 200, sem contar o gasto com os remédios, que pode chegar a R$ 200 por mês. O exame é feito no próprio hospital e os médicos responsáveis pelo projeto conseguiram garantir com laboratórios fabricantes a doação dos remédios que as mulheres precisam tomar.
Cada grupo permanece no projeto durante um período de 2 anos. Depois disso, as mulheres são liberadas porque já sabem se cuidar e só voltam para o HC para fazer um controle anual e receber os remédios. Lourdes Barbosa, 58 anos, já tinha ouvido falar da osteoporose mas nunca imaginou que tivesse a doença: ''Fui descobrir isso aqui no projeto. Depois de tudo que aprendi, agora me cuido mais e presto mais atenção em mim. No começo fiquei assustada mas agora estou tão tranquila que na minha cabeça até me sinto curada da osteoporose'' - afirma, rindo. A colega de grupo Jacira Pereira da Silva, 59 anos, tem osteopenia: ''Já estou tomando cálcio prá prevenir a osteoporose. Antes eu fazia caminhada mas agora aprendi que, no meu caso, preciso de exercícios que usem peso para fortalecer os músculos'' - explica. Mesmo quem fez os exames e está livre da doença resolveu participar do projeto. É o caso de Maria Alves Camargo, 52 anos: ''Acho que é importante prevenir, eu não quero ter osteoporose. Mesmo já conhecendo a doença eu tenho aprendido muita coisa aqui. Fiquei mais cuidadosa com os exercícios físicos e estou mais consciente da necessidade de fazer caminhada todos os dias'' - revela.
A procura pelos grupos e o sucesso do projeto têm sido tão grandes que os responsáveis já estão estudando uma maneira de atender também a comunidade fora da UEL: ''Estamos colocando tudo no papel prá ver o que é preciso fazer mas sabemos a importância desse trabalho e vamos dar um jeito de ampliar esse benefício'' - promete Elani Czepak, assistente social da universidade.

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