Os partidos políticos que não cumprirem a cota de 30% de mulheres candidatas nas eleições deste ano serão punidos. O aviso partiu do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, durante congresso que debateu a maior participação feminina na política. A lei eleitoral fixa o mínimo de 30% de candidatos de cada sexo, mas o problema é que não foram estabelecidas sanções para os partidos que não atingirem o percentual.
Marco Aurélio Mello reconhece que é uma falha a lei eleitoral não prevenir punição para esses casos e o presidente do Senado, Renan Calheiros, reconheceu que os partidos precisam "mudar a prática" de restringir a participação das mulheres na política, mas não sinalizou com a aprovação de projetos que mudem a legislação.
No Brasil, de cada dez mandatos, nove são ocupados por homens. Analisando esse número é possível perceber que as mulheres candidatas não estão tendo o mesmo apoio que os homens têm de seus partidos para se elegerem. O presidente do STE não poupou críticas e disse que os partidos usam "candidatas laranjas" apenas para alcançar a cota. Por conta disso, o sexo feminino está perdendo representação política.
Esse cenário precisa mudar e as mulheres devem cobrar essa evolução já para o pleito de 2014. Inaceitável que esse atraso aconteça em um país onde a maioria da população é formada por mulheres e que tem fortes lideranças femininas, como a própria presidente da república, Dilma Rousseff (PT), e a ex-senadora Marina Silva (PSB), pré-candidata a vice-presidente na chapa do governador de Pernambuco, Eduardo Campos.
Já que somente a reserva de 30% para o sexo feminino não está contribuindo para aumentar a participação das mulheres na política, a lei precisa mudar. Se o congresso, que tem maioria masculina, não aprova um projeto definindo sanções para os partidos que não cumprem a lei, cabe ao Ministério Público ou as entidades civis provocarem a mudança.

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