Mulher precisa superar o sentimento de culpa
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de novembro de 2002
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
No Centro de Apoio à Mulher (CAM), da Secretaria Especial da Mulher, funciona em parceira com o Programa Rosa Viva o atendimento psicológico às vítimas de violência sexual. A responsável é a psicóloga Valdeciria Souza da Costa, que também atende mulheres vítimas de violência doméstica. Na avaliação dela, o atendimento psicológico é fundamental para a recuperação das vítimas: ''Uma pessoa que passou por algum tipo de violência pode até 'sobreviver' sem os cuidados com a parte psicológica, mas com certeza terá a sua qualidade de vida seriamente comprometida.''
Defensora de mais apoio e incentivo institucional na área de saúde mental pública, Valdeciria considera que é necessário aumentar o efetivo de profissionais. ''O Programa Rosa Viva é louvável, mas é necessário implementar o atendimento psicológico. Somente uma pessoa responsável por esse serviço é muito pouco diante da demanda e o ideal seria que houvesse um aprofundamento no estudo desses casos para uma melhor eficiência do tratamento'', afirma Valdeciria, também coordenadora da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia.
Segundo ela, a principal queixa das vítimas de violência sexual é o sentimento de ''culpa'', mesmo tendo o conhecimento ''racional'' de que se trata de um ato criminoso. ''A mulher atual ainda sofre de conflitos com a própria sexualidade e fica se questionando se não teria 'provocado' o crime, ao expressá-la de alguma maneira 'inadequada'. O que buscamos refletir é que mesmo uma prostituta, declaradamente uma profissional do sexo, não pode ser violentada. Nada justifica a violência'', comenta Valdeciria.
Em média, o atendimento psicológico é procurado por vítimas mais jovens, que chegam a frequentar cerca de sete sessões de terapia. ''Mas, muitas vezes, elas desistem no meio do tratamento, demonstrando uma certa 'justificativa' de que precisariam 'carregar a dor sozinhas', sem o direito de reclamar'', conta a psicóloga.


