O noticiário de ontem deste Jornal foi desalentador – na verdade uma constatação de quase todos os dias – mostrando situações de crises e dificuldades, porém a pior delas foi a morte de uma mulher à espera de leito de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), em Londrina. E não por negligência médica mas pela inexistência de vagas, nem no Hospital da Zona Norte (onde o caso ocorreu) e nem em hospitais terciários. Enquanto isto ocorria, também era caótica a situação no Hospital Universitário, face à superlotação de pacientes esperando atendimento. Ocorre que são muitos os doentes que chegam em estado grave, e a estrutura de atendimento é insuficiente em certos dias. Na semana passada três morreram no Pronto-Socorro do HU, e se tal é uma possibilidade de quem se encontra nessa dramática situação, a superlotação é um agravante. Diante da situação – e em meio às notícias ruins – um vislumbre de atenuação do problema foi a Secretaria da Saúde haver anunciado que o Estado irá custear leitos particulares de UTIs em casos de emergência. Uma providência salvadora, que infelizmente acontece só depois que os problemas chegam ao ponto de exaustão. Tal medida é, na verdade, obrigatória por lei. O HU, uma extensão de ensino do curso de Medicina da Universidade Estadual de Londrina, deixou de ser municipal em sua esfera de atendimento e passou a ser estadual, havendo casos de pacientes que chegam também de fora do Estado, sobretudo do sul de São Paulo. A área de abrangência deste hospital-escola é vasta, num país de muitos doentes. Uma autoridade médica declarou certa vez que ‘‘o Brasil é um grande hospital’’. Problema dessa ordem – que não é o único, porque com ele estão a miséria social, o desemprego, a violência, a prostituição de menores, o tráfico e o consumo de drogas – remete para o subdesenvolvimento gerado pela retração econômica, em que o Governo figura como grande culpado, pela concentração de renda em suas mãos via impostos extorsivos, e mais os juros altos – que dificultam expansões e levam negócios à inadimplência – pelas leis e encargos trabalhistas desestimuladores de contratações. Ou seja, vive-se em regime de salvação emergencial – o de combater efeitos sem atentar para as causas. Naturalmente que em situação econômico-social mais elástica os problemas de saúde e todos os demais diminuiriam. Com bolsões de desenvolvimento de um lado, e ‘‘um grande hospital’’ de outro, onde os pacientes formam a maioria da população brasileira, torna-se difícil emergir dessa situação. De um lado, um regime de poder público rico, esbanjador e corrompido, consumindo somas fabulosas para manter o próprio luxo e a distribuição de gordos ganhos e propinas em seus próprios quadros, e de outro um enorme contingente populacional carente, inseguro e reivindicante. A tal ponto que as notícias boas vinculadas ao universo oficial, que são raras, surpreendem no noticiário, tantos são os fatos desagradáveis.

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