''Muita gente confunde o Conselho Tutelar com o extinto Juizado de Menores. Nós definitivamente não somos um órgão jurídico'', diz Marcio Antunes. Para os conselheiros, uma das maiores dificuldades enfrentadas no trabalho é a desinformação e o preconceito de grande parte da população com relação ao Estatuto da Criança e do Adolescente e ao próprio Conselho. ''Se atribui ao Estatuto e aos adolescentes a responsabilidade pela violência quando na verdade o que existe é uma organização social que não garante os direitos fundamentais e a proteção das crianças'', afirma Valdir Silva, presidente do Conselho 1.
O Conselho Tutelar foi criado em 1991 para ser o ''guardião'' do Estatuto da Criança e do Adolescente. Formado por cinco membros eleitos a cada três anos através de voto direto, o Conselho não está subordinado a nenhum órgão oficial. Os conselheiros trabalham 44 horas semanais e ganham salário líquido de R$ 1.280,00. Em Londrina os conselheiros não têm direitos trabalhistas como férias, horas extras ou décimo terceiro salário. Nos outros municípios do Estado todos conselheiros têm o benefício.
O trabalho do Conselho é zelar pelos direitos das crianças e adolescentes: ''Se uma criança está precisando de uma UTI e os pais não conseguem, nós podemos exigir esse leito mesmo que seja num hospital particular'', explica Marcio. ''As pessoas criticam o Estatuto dizendo que ele veio para encher as crianças de direitos mas ele não tem um direito sequer que já não estivesse previsto na Constituição'', garante.

mockup