Muito além do papai, mamãe e filhinho
Que a constituição familiar mudou, não há dúvidas. Com o divórcio, aprovado no Brasil há quase 35 anos, muita gente se casa novamente e o núcleo familiar já aceita "novos personagens", como madrasta, padrasto, filhos dos novos parceiros. As uniões entre casais homoafetivos também modificaram o conceito tradicional de família. Mesmo os núcleos familiares formados por pai, mãe e filhos também estão diferentes, já que com a entrada da mulher para o mercado de trabalho o papel de cada um dentro dessa constituição é outro.
A antropóloga e demógrafa Gláucia dos Santos Marcondes, pesquisadora do Núcleo de Estudos de População da Universidade de Campinas (Unicamp) é estudiosa das novas relações familiares. Ela destaca que as mudanças recentes pelas quais passaram as mulheres afetam toda a sociedade. "Dizem que a família vai acabar, mas o que a gente vê é simplesmente uma diversificação nas formas de pensar e de se relacionar em família. Estamos vivendo experimentações, porque ninguém sabe se vai dar certo. Mas o importante é que a diversidade faz com que preconceitos comecem a ruir", aponta.
Quais as maiores transformações da instituição familiar nos últimos 50 anos?
A queda da fecundidade, as mulheres no mercado de trabalho e a média de anos de estudo das mulheres, que é maior do que o dos homens, são algumas (das maiores transformações). Temos famílias menores, com menos filhos e as pessoas estão vivendo mais. Por outro lado, temos menos parentes colaterais. Você também tem uma mudança dos projetos das pessoas em relação a casar e ter filhos. O divórcio é uma possibilidade e, apesar de todos os dilemas que vêm com a separação, é uma alternativa para melhorar a vida, e os filhos também se adaptam a isso.
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