Celebrar o Dia do Agricultor é reconhecer uma atividade que está na base da segurança alimentar, da economia e do desenvolvimento brasileiro. É também uma oportunidade para lembrar que, por trás dos indicadores de produção, das exportações e dos recordes do agronegócio, existem pessoas que convivem diariamente com as incertezas impostas pelo clima, pelo mercado e pelas transformações econômicas globais.

A história do olericultor londrinense Eliel dos Santos Silva, publicada pela FOLHA neste fim de semana (24 e 25), traduz essa realidade. Na última quarta-feira (22), enquanto muitos viam apenas uma tarde chuvosa em Londrina, o agricultor enxergava esperança. Sua comemoração diante da chuva que caiu após dias de estiagem expressa o alívio de quem viu a lavoura ser beneficiada e demonstra a relação de respeito, dependência e esperança que o trabalhador do campo mantém com a natureza.

Na agricultura, a tecnologia avança, os processos evoluem, mas a chuva continua sendo uma variável decisiva. Quando ela chega na medida certa, renova a produção e também a confiança de quem vive da terra.

A trajetória de Eliel evidencia ainda outro aspecto frequentemente invisível para quem vive nas cidades: a agricultura é, antes de tudo, uma atividade familiar. É construída com o esforço compartilhado entre gerações, com jornadas que começam ainda de madrugada, trabalho intenso sob frio ou calor e uma dedicação que dificilmente encontra horário para terminar. É dessa rotina silenciosa que nasce o alimento que abastece escolas, supermercados, feiras, restaurantes e milhões de lares brasileiros.

Ao mesmo tempo, o agricultor contemporâneo enfrenta desafios que extrapolam os limites da propriedade rural. Guerras internacionais, oscilações cambiais, aumento no custo dos fertilizantes, disputas comerciais e mudanças nas regras do comércio exterior repercutem diretamente sobre a rentabilidade de quem produz. O campo não está isolado das decisões tomadas a milhares de quilômetros de distância.

Nesse cenário, o Paraná apresenta uma vantagem construída ao longo de décadas, como mostra as reportagens do Folha Rural Especial Dia do Agricultor. Estamos falando da força do cooperativismo e de como as cooperativas agropecuárias tornaram-se muito mais do que estruturas de comercialização da produção. Hoje investem em industrialização, inovação, governança, tecnologia e abertura de mercados, fortalecendo a competitividade dos produtores e agregando valor aos produtos paranaenses.

Essa evolução demonstra que o desenvolvimento do campo depende cada vez mais da capacidade de organização coletiva. Ao ampliar o poder de negociação dos agricultores, diversificar mercados e incentivar investimentos, o cooperativismo reduz vulnerabilidades e ajuda a enfrentar momentos de instabilidade internacional. Não por acaso, o Paraná consolidou-se como uma das maiores referências nacionais nesse modelo, com cooperativas que figuram entre as principais empresas do agronegócio brasileiro.

Neste 28 de julho, o Dia do Agricultor convida a sociedade a olhar para além da porteira. Ali estão profissionais que sustentam uma das principais forças econômicas do país e garantem, diariamente, algo tão essencial quanto muitas vezes esquecido: o alimento que chega à mesa de todos os brasileiros.

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