Muito além da Petrobras
O avanço das investigações da Operação Lava Jato vai revelando o quanto a corrupção está entranhada no País. Os depoimentos do doleiro londrinense Alberto Youssef indicam que o desvio de verbas públicas para beneficiar políticos e grandes empreiteiras brasileiras não minaram somente as estruturas da Petrobras. Em despacho assinado na última semana o juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, reconheceu pela primeira vez que há suspeita de esquema de propina em cerca de 750 obras públicas dos mais diversos setores de infraestrutura executadas em todo o Brasil.
Moro, atualmente o mais respeitado magistrado brasileiro não só pela notoriedade que o caso lhe dá mas também pela firmeza com que conduz a investigação do megaesquema de corrupção na maior estatal do País, tomou por base uma tabela apreendida com Youssef. Nela, o doleiro relacionada a obra pública, a entidade pública contratante, a proposta, o valor, o cliente do referido operador (a empreiteira) e também indica o nome da pessoa de contato. O juiz destacou que a lista sugere que o "esquema criminoso de fraude a licitação, sobrepreço e propina vai muito além da Petrobras". A suspeita é que projetos referentes a portos, aeroportos e ferrovias também estejam na planilha apreendida com Youssef. Tudo, provavelmente, por meio de licitações combinadas.
Como se nota, a força-tarefa do Ministério Público Federal e da Polícia Federal terá muito trabalho ainda para desvendar quanto a corrupção sangrou dos cofres públicos nos últimos anos. E a tarefa poderá ser facilitada pelo próprio Alberto Youssef, o organizado "banqueiro da propina" que detalha com minúcia para onde foi carreado o dinheiro público.
Somente a vigilância e fiscalização serão capazes de evitar que recursos essenciais à população não sejam desviados para a conta de corruptos e corruptores.





