Apesar dos desmandos governamentais, que marcaram sobretudo o ano de 2006 e tiveram continuidade em 2007, o Brasil cresce como nação e se desenvolve economicamente. As políticas públicas têm ajudado pouco nesse sentido, e em quase tudo atrapalharam muito, mas existe um país-cidadão operoso que avança, atropelando o próprio Governo, que não consegue desempenhar no mesmo compasso as tarefas que lhe compete. O ano que ora se inicia não é apenas de esperança mas traz sinais de robustecimento da prosperidade, em ritmo lento mas contínuo.
Não há razões aparentes para estagnação ou retrocesso mas, ao contrário, fortes indicativos de avanço e melhoria em todas as atividades. O aumento do consumo que se verifica reclama mais produção, e mais produção significa o giro intensificado da roda da economia, com reflexos positivos no emprego e na melhor distribuição da renda. A ação da iniciativa privada, embora tangida por pesada carga tributária e por algumas leis anacrônicas e prejudiciais ao desenvolvimento sócio-econômico - destacadamente a arcaica legislação trabalhista - vai derrubando barreiras e consolidando posições. Algumas vícios sociais, típicos da cultura brasileira, se apresentam ainda desafiadores, mas certamente irão se diluindo na medida em que os padrões de vida forem melhorando. Essa marcha é evidente e irreversível. Não de trata de ufanismo e de otimismo vazios mas de realidade.
Muita coisa está por fazer neste país-continente de 190 milhões de patrícios e não existem impedimentos que não possam ser removidos. A sociedade, que segura a barra e toca este país, haverá de reformular também os governantes e toda a legião de homens públicos, pelo seu trabalho, pela posição de vanguarda na corrida desenvolvimentista, pelo exemplo e pela luta contra os desmandos e por reformas. A pressão popular precisa intensificar-se e ser constante, porque as instituições governamentais, infelizmente, são como filhos rebeldes que precisam de corretivo e vigilância permanente.
Não se pode esperar coisas revolucionárias dos governos - destas que resultem em grandes saltos de qualidade - mas espera-se isto da sociedade, de forma a emancipar o próprio povo e fazer que as autoridades públicas se aprumem em seus passos. Neste limiar de 2008 as forças vivas e pulsantes deste país precisam robustecer a convicção de que só pela mobilização se implantará a moralidade pública e se varrerá os entulhos que ainda atrapalham a marcha do progresso.
Mesmo assim, embora as tantas trapalhadas governamentais e uma certa corrente de pessimismo que ainda vigora, muitas coisas boas vêm acontecendo. O Brasil é cada brasileiro, por isso a nação justa e altiva que todos anseiam haverá de ser construída pelos cidadãos. Se os governos contribuírem, tanto melhor, mas se não o fizerem acabarão sendo arrastados a reboque dos avanços da sociedade e da revolução produtiva.

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