Muita maquiagem e pouca obra em 2006
O que aconteceu de bom e de ruim no Brasil e no mundo, em 2005, são coisas do passado costumam dizer aqueles que vivem intensamente o presente. Se este é um princípio de sabedoria, também é certo que as conseqüências do que ocorreu perduram, sendo necessário harmonizar os irreversíveis fatos passados com a realidade que se irá viver no ano que começa amanhã. Mas as coisas poderiam ser mais fáceis se não se vivesse neste país os efeitos das más políticas públicas, que resultam em grandes bolsões de miséria social e em insegurança. Em 2006, ano eleitoral, o presidente Lula tudo fará na área do assistencialismo, para reeleger-se, e já começa a dar prioridade à bolsa-família, deixando para trás projetos de desenvolvimento sustentável, que a médio e longo prazos iriam solucionando o problema do desemprego e dinamizando a economia. Como isso haveria diminuição da carga assistencial, que se é necessária em razão do socorro urgente àqueles que estão caídos, deve vir acompanhada de fórmulas duradouras de crescimento econômico e social, para que aquele cidadão carente porém jovem e saudável venha a manter-se por própria conta e cresça em dignidade e auto-estima. Neste ano que finda o Brasil sucateou-se ainda mais naquilo que dependeu do Governo, com o agravante dos vergonhosos escândalos da corrupção. No tempo que resta da atual administração federal pouco pode ser feito em infra-estrutura, porque nada se começou nos primeiros três anos. Se houve segmentos em que o Brasil cresceu, estes foram os da iniciativa privada, que avança apesar dos Governos. Já o mandante supremo da República, cuja meta é sempre o poder, derramará grande soma de dinheiro em atendimento assistencial como já recomendou aos seus ministros e alardeou visando conquistar eleitores e manter-se no cargo, dessa forma continuando a não fazer as mesmas coisas que não fez. O ano novo, na esfera governamental, será portanto de muita movimentação em obras de varejo e de intensa propaganda institucional, porque é tempo de semeadura para colheita de votos. Com o recesso parlamentar e a época de natural ociosidade da maioria dos brasileiros, em função das férias e da temporada de verão, as coisas só começarão a deslanchar depois do carnaval. E como o ano é eleitoral e de Copa do Mundo o Governo marchará no mesmo ritmo, porém em grande estardalhaço populista. Lula se vangloriará, em sua campanha palanquista, da liquidação antecipada do débito com o Fundo Monetário Internacional, mas tal ocorre por conta das boas reservas originadas da exportação, mérito da iniciativa particular e não do Governo. Mas, no embalo dessa dança, o Presidente aproveitará para festar em arraial alheio, como tem feito. Neste ano restante o Governo Lula fará muita maquiagem, que seduzirá os menos atentos porém facilmente influenciáveis e capazes de retribuir com a generosidade do voto. Equivoca-se quem espera grandes projetos governamentais e reformas de salvação nacional, no ano novo. Até porque, pela vagarosa marcha petista, faltará tempo hábil.





