‘‘É hoje só/só-só/vai acabar/já-já!’’ Esse era o refrão da terça-feira gorda, lá pelos idos de 40 e 50, século passado, que anunciava a apoteose e, ao mesmo tempo, o final do Carnaval. Saudava-se o epílogo como se houvesse a vibração do começo.
Dá para cantar hoje, depois da decisão do STF sobre a hermenêutica do TSE a respeito das coligações verticalizadas, a mesma coisa. Só que muito pouco vai mudar até mesmo na hipótese de a instância superior, habilitada à exegese da matéria constitucional, alterar a interpretação da côrte especializada. Com os políticos jamais teremos partidos sérios que se preocupem com os seus respectivos programa e doutrina. Deles todos, o que mais se liga nessas coisas, hoje com menor intensidade do que há 15 anos, é o PT. O PMDB já foi o tal como frente pluralista e que venceu as eleições para o governo dos Estados em 1982. Tinha militância, o que hoje não existe nem em seu caso e muito menos do PSDB e PFL.
Claro que especialmente nos Estados o efeito da decisão do STF pode ser contundente. O PFL tende a manter-se solteiro, apesar das divisões internas, para tirar o máximo das combinações as mais absurdas. Tanto as eleições ditas proporcionais como as majoritárias terão uma catadupa de votos nulos e em branco decorrentes dessa salada geral e do ceticismo, cada vez maior, do nosso eleitorado. A trairagem, o voto camarão (aquele que se corta a cabeça), a ‘‘cristianização’’ de candidatos (e um dos mais ameaçados é o padre Roque pela ala pragmática e oportunista do PT) serão uma constante.
Com os políticos que temos não dá para pensar em partidos consistentes de olho nas futuras gerações e não apenas na próxima eleição. O cúmulo do sadismo seria algum ministro pedir vista e o processo seguir na indefinição.
BIZARRICE Anúncio do PFL se declarando independente é publicidade enganosa?
AXIOMA Um cearense vai pagar uma fortuna para ir ao espaço numa nave. Roseana Sarney foi para o espaço sem gastar nada, ainda que muito desgastada.
GLOSA Afinidades: Paulo Pimentel e Hermas Brandão criam gado e compartilham o mesmo veterinário. Esse é o diálogo que se pode chamar de ‘‘cocheira’’.
EPIGRAMA Por falar em Hermas Brandão, como é que acontece um absurdo como o de vetos do governador aprovados pela Casa voltarem à análise e serem rejeitados? Com mancada desse nível não há como ajustar ao Brandão o cacoete de estadista. Alegar que não estava presente não torna o pecado, gravíssimo, venial.
FOLCLORE Se houvesse seriedade no Legislativo, o caso da matéria vencida em veto voltar ao plenário seria encarado como muito mais grave do que a fraude da votação no painel do Senado. Deveria render à molecagem até cassação. Mas aqui a turma do deixa disso não está nem aí para discussões éticas.
CROMO Se o menino não sabia jogar bem nem búrico, nem turco e nem cobrinha e andava com uma sacola cheia de reluzentes bolinhas já era motivo de grosseira desconfiança em nossos tempos líricos, mas também perversos.

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