Mudar o sistema do comércio de fronteira
O ideal seria que o mundo inteiro se transformasse numa zona de livre comércio, sem barreiras alfandegárias, sem dumpings, sem mercadorias falsificadas e pirateadas. Assim, o que hoje se denomina contrabando deixaria de existir. A América do Sul, especialmente, é formada por uma mesma gente, só separada por fronteiras territoriais mas muito semelhante no idioma - porque todos se entendem entre si - e na maioria dos costumes. Mas, mesmo com o planeta globalizado e os sistemas de comunicação do tipo internet, telefonia celular, televisão transcontinental, cada país tem suas leis e isso dificulta uma almejada integração sem fronteiras.
No caso específico do Paraguai, país através do qual entra no Brasil grande quantidade de mercadorias contrabandeadas - as do excesso nas sacolas dos ''formiguinhas'' e as dos grandes complexos que passam ao largo - o ideal seria abrir livremente todos os portais do comércio e outros intercâmbios, em mão dupla, mediante um eficiente sistema bilateral que favorecesse a ambos os países. Isso evitaria episódios como o que aconteceu quinta-feira em Londrina, pouparia e liberaria os agentes da Receita e da Polícia Federal para outras atividades, como o combate ao tráfico de drogas e armas e à criminalidade, incluindo a da esfera governamental. Porque, pelo sistema vigente, esse tipo de comércio não cessará e será sempre razão para confrontos entre comerciantes que vão querer operar ilegalmente e os organismos de repressão. O que acaba de acontecer em Londrina irá se repetir, nesta cidade e em outros lugares.
As autoridades e as inteligências deste país devem pensar em fórmulas de melhor administrar essa questão do comércio de fronteiras. A Europa uniu-se num só bloco e numa só moeda. Enquanto isto não acontece por aqui, será contra-senso os camelôs insistirem na prática da ilegalidade adquirindo mercadoria pelo sistema de contrabando e pirataria. A intranquilidade continuará e eles viverão sempre em sobressalto, e de sua vez os organismos de repressão terão de continuar se desgastando com a vigilância, em detrimento de outros atendimentos mais reclamados pela população. Como se declarou ontem neste espaço, se os camelôs querem salvar o seu negócio, precisam agir dentro da lei.
É inoportuno no momento discutir, como comparação, questões como a excessiva carga tributária sobre o comércio legalmente estabelecido e a corrupção no meio governamental. A punição dos corruptos deve também acontecer, a luta pela diminuição da alíquota dos impostos precisa travar-se, mas não se pode exigir uma coisa e tolerar outra. A legalidade precisa instalar-se em todas as atividades humanas, e especialmente no Brasil, onde a moralidade pública desceu a nível muito baixo. Da forma que se deve combater tudo o que há de errado neste país, deve-se reprimir também o comércio irregular. É possível que todos ganhem operando dentro dos princípios da moral e da legalidade.





