Mudar muito de emprego não 'suja a carteira'
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domingo, 05 de abril de 2009
Cláudia Palaci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Um ano em uma empresa, depois mais um em outra, e lá se vão carimbos de entradas e saídas na carteira de trabalho. A troca constante de empregos pode ser interpretada como instabilidade e prejudicar a busca de uma nova colocação. No entanto, em algumas carreiras, este movimento é visto como um ciclo natural.
A visão que "sujar a carteira de trabalho" com carimbos de empresas diversas é considerada de certo modo ultrapassada pela gerente de projetos e unidades do Grupo Foco - empresa especializada em recrutamento -, Fabiana Gabrielli. Ela explica que diante da dinâmica do mercado e o grau de discernimento do candidato para a tomada de decisões, mais que nunca, tudo é relativo. "A conquista da vaga depende do quanto o candidato contribuiu para empresa apesar da rápida passagem. Ficar muito tempo em uma mesma função também pode ser vista como falta de iniciativa de crescimento profissional", analisa.
Neste impasse, ela explica que o entrevistador deve estar treinado para verificar se a pessoa apresenta uma extrema capacidade que foi especulada pelo mercado e recebeu boas propostas de trabalho ou se está sem planejamento de carreira, com problemas de adaptação ou motivos financeiros. "Informar os motivos de tantas transições é imprescindível para evitar falsos julgamentos", indica.
Fabiana alerta que há empresas que preferem profissionais com currículos mais estáveis, principalmente para os cargos executivos devido ao acesso às informações estratégicas. Para funções operacionais as restrições são menores, mas dependendo da área de atuação, o tempo de experiência baliza a capacidade do candidato para desempenhar o trabalho satisfatoriamente.
Fabiana aponta que am algumas situações a rotatividade é vista com certa naturalidade como em cargos temporários de informática e no telemarketing. "Em ambos os casos, a empresa contratante tem ciência da oscilação de mercado e não costuma levar em consideração no momento da entrevista", avisa.
O auto-conhecimento é um dado importante no gerenciamento da carreira, de acordo com Fabiana. O profissional precisa saber o que realmente o motiva e como explica tamanha instabilidade no percurso da carreira para não parecer falta de planejamento. "Experimentar cargos e empresas à esmo é uma atitude muito prejucial. Isso serve para estagiários. Ao ser um profissional, o mercado exigirá uma decisão. É necessário saber o que o motiva para entrar e sair dos locais para repassar isso ao entrevistador ", indica.


