Se há um propósito verdadeiro de mudar a imagem de uma corporação partidária, o começo é mudar a mentalidade de seu colegiado e, a partir daí, dar o nome adequado a essa nova ideologia. O PFL - Partido da Frente Liberal - quer agora mudar de nome com o fim de mudar a imagem, mas será sempre PFL, sempre PDS, sempre Arena, como já foi. E, fazendo-se uma regressão, se irá encontrar seus ancestrais na ''velha e rancorosa UDN'', como a qualificavam seus adversários e alguns de seus próprios membros, e em outros partidos conservadores que a antecederam. No topo dessa árvore genealógica está hoje o PFL.
As siglas não têm uma ideologia em si mesmas mas naqueles que as compõem, e os iguais vão se aninhando nelas. Agora, com o propósito de mudança do nome do PFL, não será diferente. O objetivo é remover a imagem de ''direita retrógrada'' que envolve o partido, conforme um de seus dirigentes. Se dentro da direita há quem a julge retrógrada, sabe-se ao menos que é conservadora, por tradição, mas também são conservadoras as esquerdas, os partidos de centro e aqueles sem posição definida que vagam ao sabor dos ventos, porque nada ser é também uma forma de conservar-se. Enquanto houver apenas preocupação com a mudança do nome de um partido, nada em sua estrutura mudará.
No caso dessa corrente política, que já teve meia dúzia de denominações, nada se alterou ao longo dos anos e não irá se alterar agora. O significado da palavra ''partido'' é que é uma das partes de um conjunto de visões políticas múltiplas, e então deve assumir-se como facção. A multiplicidade de pensamentos é que forma a democracia partidária, porque reflete também as diferentes tendências da opinião pública - mesmo que, no Brasil, os cidadãos na grande maioria não participem da vida dos partidos.
O que precisa mudar nas agremiações partidárias não é nem a sigla e nem a ideologia, mas os seus fins. Que hoje se concentram na sustentação do poder e na lei das vantagens partidárias e individuais (que têm entre seus nomes o da corrupção) e muito pouco nos interesses da nação. Pior que uma imagem de ''direita retrógrada'', de ''esquerda retrógrada'' ou de ''centrismo retrógrado'' é a imagem hoje imperante da baixa operância partidária, parlamentar e governamental, e das muitas vergonhas que envolvem os homens públicos.
A mudança, pois, deve ser de comportamento, um processo que deve começar em cada político individualmente - e há muitos casos de políticos sérios, conscientes de sua função e incorruptíveis. Se não é possível reunir em um só partido todas as tendências políticas, é possível reuni-las em um só ideal, que é o de fundamentar o sistema governamental em leis sábias e sólidas e assim se consolide a moralidade e a justiça.

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