Abrir uma indústria no Paraguai aproveitando a Lei da Maquila é um desejo cada vez mais comum entre empresários brasileiros, que estão encontrando no país vizinho condições econômicas muito favoráveis. A carga tributária é reduzida, a energia é mais barata, as leis trabalhistas são bem mais brandas e a burocracia também é menor. Um jeito bem interessante de driblar as dificuldades desses tempos de recessão econômica e ganhar competitividade. Pena que a geração de empregos fica para o país vizinho. É o Paraguai se tornando rota de fuga para a indústria brasileira ao mesmo tempo em que estreita as relações econômicas com o Brasil. Do Paraná, o Paraguai é o quinto maior parceiro comercial, de acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

Reportagem deste fim de semana (8 e 9) mostra que a Lei da Maquila é um dos fatores que vêm atraindo investimentos da indústria do Paraná no Paraguai. Essa lei regulamenta as maquilas, indústrias contratadas por empresas estrangeiras para transformação, elaboração, reparação ou montagem de mercadorias para posterior exportação. Máquinas, equipamentos, ferramentas, matérias-primas, insumos e partes e peças devem ser importados e têm isenção de impostos. A tributação é única, com incidência de 1% na exportação sobre o valor agregado em território nacional.

Dos 173 projetos vigentes de programas de maquila no Paraguai hoje, 120 são de empresas brasileiras. Em 2017, 24 empresas brasileiras se instalaram na região sob o regime de maquila. Um empresário paranaense entrevistado pela reportagem da FOLHA contou que enquanto um produto produzido por sua fábrica brasileira custa R$ 10,00, no Paraguai o valor cai para R$ 7,80. Entidades estimulam indústrias do Estado a aderirem ao regime de maquilas para se tornarem mais competitivas ao levarem etapas mais intensivas da produção do ponto de vista energético e de mão de obra para o país vizinho, que acabaria funcionando como uma plataforma de internacionalização.

Mas antes de sair pensando em se mudar, especialistas lembram que as maquilas não significam vantagens a todos os segmentos. E para o Brasil, fica uma reflexão sobre a oportunidade de negócio e geração de empregos encontrada pelo Paraguai, enquanto o Brasil continua abusando de sua carga tributária.

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