Mudar, com saída de Palocci e Meirelles
A classe empresarial é sempre mais entendida em política econômica do que as autoridades governamentais do setor, destacadamente aquelas que nunca instalaram ou administraram uma empresa. Caso do médico Antonio Palocci, militante histórico do PT e que, com a subida de Lula à presidência da República, foi chamado para ser o ministro da Fazenda. Agora, exaustos, os empresários pedem que Palocci saia e dê lugar a alguém mais capacitado para a função e que seja desenvolvimentista. Lobbies empresariais chegaram a enviar, na semana passada, carta ao Presidente pedindo a demissão do ministro. E mais: eles querem fora também o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. O pedido é que os dois sejam afastados imediatamente, antes mesmo (caso de Palocci) da conclusão das CPIs. Porque o ministro está envolvido também em denúncias de corrupção do tempo em que era prefeito de Ribeirão Preto. O que ocorre não é uma conspiração contra Palocci e sim contra sua política econômica. Quem está por trás dessa onda gigante por mudanças é a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. Como declara o presidente da Federação, Paulo Skaf, o Brasil é maior do que qualquer brasileiro, e é possível mudar a política econômica mesmo mantendo-se o ministro atual. Sabe-se porém que Polocci não mudará sua sistemática postura monetarista. O que a comunidade empresarial deseja é a redução dos juros a níveis sustentáveis, a diminuição da carga tributária e um choque de gestão para reduzir o gasto público desnecessário, aí entendido também o elevado serviço das dívidas. E outros tantos pleitos mais, que já se conhece nem todos da esfera do ministro como a reforma de legislações. Em face da política econômica equivocada do Governo, o Brasil tem crescido a apenas 3%, quando países emergentes já chegam a 8%. A Argentina, que antes de seu atual Governo viveu uma crise sem precedentes e já recuperou-se, está tendo um crescimento anual de 9%. Como a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, converteu-se na grande agente da proposta de mudanças porque está se indispondo publicamente com o companheiro Palocci o nome dela está sendo sugerido para assumir o Ministério da Fazenda, e Guido Mantega (também do círculo governamental) como presidente do Banco Central. Certo é que a presença de Antonio Palocci já incomoda, e sua permanência no poder parece não ter mais sustentação. Os empresários já não temem uma crise com a saída dele. Ao contrário, vislumbram o renascer de esperanças se ele cair fora e, naturalmente, seu sucessor promova uma reviravolta em tudo, começando por extinguir essa política tresloucada dos juros, que asfixia a nação. Não é apenas a classe empresarial que deseja mudanças radicais, mas destacados homens do Governo, como o vice-presidente José Alencar e outros tantos, que não concordam com a política econômica do colega e com seu excessivo poder dentro do círculo governamental. O próprio presidente Lula parece balançar em sua intransigente posição de outrora em defesa de Palocci. Um pedido de demissão, por parte do ministro e do presidente do BC, seria uma fórmula honrosa de eles saírem pela porta da frente. Os sinais são de que o tempo dos dois já se esgotou.





