Mudanças para continuar tudo igual ou pior
A recondução de Michel Temer à presidência da Câmara e de José Sarney à presidência do Senado não traz novidade, deixando tudo como sempre esteve, ou talvez pior. Ambos são do PMDB, o partido forte que dá grande sustentação ao Governo Lula, e daqui por diante continuará dando mais. Em contrapartida o partido poderá aumentar o domínio de ministérios e outros postos relevantes da administração federal. O PT desaparece do cenário e não faz falta na atual conjuntura.
O presidente Lula está feliz com o desfecho que reconduziu os dois velhos políticos a esses topos do poder, porque uma derrota de Sarney (no caso do Senado) poderia afastá-lo do apoio à candidatura de Dilma Rousseff em 2010, e pior, eventualmente posicioná-lo contra. Poucos acreditam que a dupla Temer-Sarney introduza mudanças relevantes em favor da produtividade nos dois Poderes, embora prometam melhorar a imagem do sistema parlamentar, que hoje é a mais desgastada.
Veja-se: Renan Calheiros retorna com grande poder, pela ligação com Sarney ademais ele é o novo líder do bloco PMDB-PP e recorda-se que renunciou à presidência do Senado para não ser cassado, por acusações de corrupção. Do time de Sarney fazem parte ainda Romero Jucá, Valdir Raupp e Gim Argelo, os três com pendências judiciais. O 1º vice-presidente da Câmara é Marcos Maia, que ficou conhecido por votar pela absolvição dos acusados do mensalão no Conselho de Ética. E Edmar Moreira, 2º vice-presidente, foi denunciado por apropriação indébita de recursos da Previdência. Com Michel Temer no poder ressurge das brumas também Jader Barbalho. O novo titular da Câmara não deixou seu discurso vazio, prometendo regulamentar toda a Constituição de 1988. De sua vez, o novo mandante do Senado anuncia cortar 10% de todas as despesas da Casa. Isto é o mesmo que nada, ainda restando saber se fará mesmo essa economia, pequena que seja. O PMDB, que já mandava bastante no Governo, agora manda também no Congresso. O PT diluiu-se, e como o PMDB parece com vocação para continuar comandando sem a necessidade de fazer o presidente da República, em princípio alarga-se o caminho para Dilma deslanchar na candidatura.
Ela é a favorita do Presidente para a disputa, e como o lulismo ficou mais poderoso que o petismo, é Lula quem decide. Depois de declarar que ela é a mãe do PAC que agora recebe mais verbas, porém não soube gastar nem as correspondentes a 2008 ele a chamou de sacerdotiza do serviço público. O desfecho das eleições na Câmara e no Senado não traz nenhum alento, se é que alguém esperava austeridade e um salto de qualidade da representatividade parlamentar sediada em Brasília.





