Com a dinâmica nos processos de informação e o aumento da escolarização – depois de eleger aventureiros no Brasil – os eleitores passaram a usar seu título eleitoral não só para escolher seu representante mas como ‘‘um cartão vermelho para tirar maus políticos do poder’’, segundo um taxista de Londrina.
Como efeito desta mudança, é notória a preferência por candidatos que apresentem propostas aos que fazem propaganda, pelos honestos aos inconsequentes politiqueiros, preferência por aqueles que propõem a transparência e reordenação administrativas. O PT se credenciou para este momento.
Nas esteiras destas exigências estão as cobranças por transparência e transformação na Assembléia Legislativa do Paraná. Isto já começou, de forma sutil e às vezes imperceptível.
Para eleger Nelson Justus presidente da Casa, houve uma reacomodação das forças políticas internas que possibilitou a criação da liderança das oposições, nova dinâmica às comissões permanentes e, obviamente, mudanças administrativas, com um novo perfil adotado pelo ex-presidente Aníbal Khury.
O presidente começou o processo de informatização e reforma nos ambientes, para dar condições e democratizar o acesso do público e dos trabalhos legislativos. A criação pela mesa executiva de uma Plano de Demissão Voluntária ensejou várias interpretações sobre sua necessidade e propriedade. Contudo, tocou num aspecto extremamente polêmico na Casa: os funcionários.
Desde 1986, quanto o PT estreou na Assembléia Legislativa do Paraná com o deputado Pedro Tonelli são cobradas transparência e modernização da Casa. Desde esta ocasião até hoje foram diversos requerimentos, pronunciamentos e ações jurídicas neste sentido. Desta feita, uma ação movida pelo Ministério Público do Trabalho provocou a Justiça que, por sua vez, entendeu que uma das formas de contratação de funcionários através de Contrato CLT, sem concurso, após 1998, é ilegal e, portanto, os mais de trezentos nesta condição seriam dispensados.
Alguns setores já estão deficitários, como é o caso da gráfica, de técnicos que prestam serviços às Comissões e a segurança da Casa.
É importante a sociedade saber que a nossa Assembléia está entre as que menos gastam no Brasil e é uma das mais produtivas. Contudo, precisa continuar no caminho da mudança. É intenção, demonstrada por diversos membros da futura direção, que iremos cobrar e ajudar, finalizar a informatização e controlar todas as atividades funcionais, inclusive o ponto de todos os funcinários. Suprir as demandas com concurso público, feito por uma instituição pública independente.
Neste caso, já entregamos nas mãos do futuro presidente um projeto que cria o Núcleo de Estudos Legislativos, coordenado pelo professor-doutor Nildo Lubke, para qualificar assessores de gabinete e demais funcionários da Casa, efetivos comissionados, bem como preparar aqueles que por ventura queiram participar de futuros concursos desta Casa.
Por fim, é desejo de toda a sociedade, a transparência. A experiência tem me mostrado que as pessoas imaginam que ser deputado é estar num paraíso terrestre. Quando são informadas que nosso salário bruto é de R$ 6.000 (líquidos R$ 4.380), não acreditam e ainda questionam: ‘‘E os por fora?’’. Quando informadas como funciona um gabinete, dos recursos e dos assessores, sua reação muda. Quando tudo é colocado às claras, passam a respeitar mais o Parlamento, perceber sua importância e compreender suas dificuldades.
- IRINEU COLOMBO é deputado estadual pelo PT

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