O presidente Lula anuncia que mudará sua forma de governar, a partir de 2005, e que agirá mais pelas suas próprias decisões do que pelas ''dos amigos'', porque estes ''são perigosos'', ele conclui. O enfoque do Movimento dos Sem Terra parece derivar para a política econômica e se articula para grandes marchas de protesto, esperando contar com a mobilização popular. Em Londrina, o prefeito diz que vai ouvir o povo. Se as novas estratégias darão certo, só o tempo dirá, mas de uma coisa se sabe: se a sociedade consciente e organizada se mobilizar, poderá causar uma revolução e obter tudo o que desejar. Mas enquanto se aguarda o que acontecer no cenário nacional, deve-se atentar para o brado das bases. Começando por Londrina, leu-se ontem neste jornal que o prefeito Nedson Micheleti deseja criar uma ouvidoria, para auscultar as reivindicações do povo naquilo que o poder público municipal pode atender. Se Nedson seguir a orientação do presidente Lula que é do mesmo ideário político modificará seu secretariado ou passará a governar por suas próprias decisões. Certamente está consciente de que é ele, e mais ninguém, que deve dar as determinações e exigir que seus comandados as cumpram. Os pedidos ao ''novo'' prefeito já começaram, e agora é o momento de repensar políticas. Sabe-se que é possível bem administrar fazendo pequenas obras, que no entanto são grandes para cada bairro, para cada rua, para cada lugar e para a cidade inteira. Ao mesmo tempo tomar decisões que, na extensão, andarão por si próprias, bastando o ''pontapé'' inicial do poder público. Assim na vida pública como na vida privada. Caso da vinda da Wal-Mart, por exemplo: se o prefeito revogar a declaração de utilidade pública do fatídico terreno, a Prefeitura se livrará de investir alguns milhões na compra do imóvel e o hipermercado se instalará. O teatro dos sonhos (que seria ali) encontrará outro local, bem mais barato, ademais a Prefeitura dispõe de áreas próprias, embora, estranhamente (deve ter sido erro de imprensa) o prefeito tenha dito que não as possui. O mais é buscar verbas para construir casas populares e, dessa forma, atenuar o drama dos assentamentos em Londrina. Não é uma questão fácil, mas é tempo de valer-se da irmandade partidária e buscar mais recursos em Brasília. Os deputados federais e estaduais precisam ajudar o prefeito. A moradia ainda não é um emprego, mas é um salto de qualidade para as famílias sem teto, e se for permitido que empresas novas se instalem, vagas de trabalho se abrirão. Numa cidade com 180 mil veículos, o sistema viário precisa ser repensado. Há que contratar especialistas em tráfego urbano e abandonar as práticas caseiras. E enquanto se cuida dos problemas sociais, estratégicos e logísticos os citados são apenas alguns a cidade precisa ser melhorada e embelezada (e isto vale para as sedes distritais, pois lá também moram pessoas), porque isto não é luxo mas requisito importante. Ademais, a execução de benefícios e sua manutenção gerarão empregos. É uma tarefa que pode ser realizada em parceria comunitária. Mas será preciso uma voz de comando e de entusiasmo. Com a palavra, o prefeito! O ''novo'' governante municipal tem três rumos a seguir: Brasília e Curitiba, em busca de ajuda, e as ruas, onde o povo está. Agora o prefeito Nedson do segundo mandato terá de valer-se por dois: o que ele próprio deseja fazer e o que o concorrente faria, porque o eleitorado se dividiu quase meio a meio, e essa outra parte que não votou nele é também o povo de Londrina.

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